2016, pode ir embora! Uma carta de despedida!

Pode ir. Chegou sua hora!

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Pode ir embora.
Leve com você esse peso enorme que deixou nos nossos ombros. Como você foi difícil. Duro. Frio.
Trouxe tantas crises e dias sem luz que esse sol lá fora está ofuscando meus olhos.
Pode ir.
Por um tempo achei que você não iria embora nunca. Como visita de gente chata, tratamento de Canal, ou horário político. O tempo parece que anda ao contrário. Os minutos se recusam a passar.
Você simplesmente não passou.
E esse tal de tempo é um sujeito engraçado. Quanto mais pensamos nele, mais ele demora a correr.

Você definitivamente não correu. Andou sedentário, cambaleando. Parando a cada novo tombo. Bêbado. Trôpego.

Não te culpo por tudo. Parece que todos nós nos unimos para torná-lo tão difícil. Uma união mundial de forças estranhas.

Mas você veio com um propósito. Remédio amargo para nossa falsa crença de que podemos fazer o que quisermos e tudo ficará bem.
Você veio nos mostrar que tudo é transitório. E finito.
Irônico. Você, o “quase infinito” nos ensinando sobre finitude.
Seus invernos nos assombrarão pra sempre. Seus dias escuros, suas neblinas e tempestades, que nos impediram de enxergar uma luz qualquer. Algum lampejo de verão. De futuro promissor.
Pode ir. Chegou sua hora.
Que esse sol lá fora seja o início de algo bom.
Aprendemos tanto nesse seu tempo. Superamos, morremos, caímos e levantamos o quanto foi possível.
Que os nossos dias agora sejam repletos de consciência e força.

Lembraremos sempre, com uma certa dose de orgulho, que sobrevivemos a você.
Adeus

Clara é escritora, divorciada, mãe, apaixonada, feliz. O seu maior prazer é deixar as palavras brincarem na sua cabeça e assumirem o controle. Recomeça todos os dias, se equilibrando em mágoas e amores.