2º CASAMENTO - minha fórmula pra fazer dar certo

Tão bom se a gente não se apaixonasse mais, conseguisse ficar na nossa, cuidar da nossa vida e dos filhos, sem carências, sem aquela voz interior gritando por companhia, paixão, diversão, sonho e leveza!!! Mas, não tá rolando.

happily ever after
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Olá, meu companheiros de  EXNAP. Hoje quero falar com você, mulher madura, que acabou de passar pelo divórcio ou o término de um relacionamento longo. Você está exausta e cheia de cicatrizes. Mas, como este caminho não tem volta, a vida já te apresentou alguém que fez você pensar que reconstruir sua vida amorosa vale a pena. Entendi e sei como é. Tão bom se a gente não se apaixonasse mais, conseguisse ficar na nossa, cuidar da nossa vida e dos filhos, sem carências, sem aquela voz interior gritando por companhia, paixão, diversão, sonho e leveza!!! Mas, não tá rolando. O tal do gregarismo, a vontade de se conectar e viver o amor de novo teima em te visitar. Vamos olhar pra isso? Bem, vou te contar o que eu fiz e como tá funcionando pra mim. Não, não é a fórmula! Foi a minha fórmula. E foi muito intuitiva e particular. Tenta a sua. Cada um sabe o que é melhor pra si. Quer saber como fiz e  estou na luta de fazer?

Bem, pra ajudar, isso começou a me acontecer perto dos 50 anos, então tinha o fantasma do risco da gravidez e ao mesmo tempo, o fantasma da menopausa. Tomo pílula? Uso DIU? Camisinha? Os mesmos dilemas da adolescência, mas agora na maturidade. Nem vou entrar neste quesito aqui porque daria outro post. Ah, meu ex era vasectomizado. Ou seja, uns 10 anos sem nem me preocupar com possível gravidez. Vamos seguir.

Eu já tinha uma filha moça. 20 anos. Linda. Na flor da idade. Meu, que louco! E como será trazer um homem pra minha vida com uma filha desabrochando? Ah, tem um menino adolescente que tem acompanhado um pai adoecido, quebrado em todos os sentidos, deprimido… E eu apareço com um homem mais velho que o pai deles e Lindo! Magro, saudável, esportista, extrovertido, bem sucedido… Como fica o meu filho? Ambos adoram esportes! Pra facilitar meu gato também tem um filho. Um só. Único. 5 anos mais velho que meu garoto e 5 anos mais novo que a minha moça. 20, 15 e 10 anos! É muita geração envolvida.

Primeiro desafio: como ter agenda pra nós dois?

Os filhos viam os pais quando queriam e os pais vinham com certa frequência em nossas casas. O meu gato na cada da ex (que era onde ele morava, porque ele saiu de casa) e o meu ex na minha casa (que era outra, por que eu sai de casa e aluguei um apê com meus filhos). O meu gato continuava trocando lâmpada na casa da ex. Ela mora ao lado da minha sogra, portão com portão. As duas são amicíssimas! A ex dele e a mãe dele. Agora tenho uma cunhada e um cunhado e sobrinhos. Meu ex era filho único. Nunca tive cunhados. Tinham uma casa de praia juntos. Eram bem amigas. Ou são. A cunhada e a ex.  Então, que tal fazermos uma agenda de final de semana e termos um final de semana a cada 15 dias só nós dois sem filhos e agregados? Não foi fácil! Comecei a agendar viagenzinhas e passeios mais fora da cidade para que os ex não devolvessem os filhos no meio da tarde e nem zoassem com nossas programações, por que isso existia. “Ah, pintou uma reunião”; “Ah, o filho esqueceu o casaco to indo ai buscar”; “ ah, o filho não gosta da comida que fiz pro almoço. Vou deixar ele aí pra almoçar com vocês e depois busco” e assim vai. Sabe aquele soninho gostoso após o almoço no sabadão depois de uma transada delícia? Vocês lá pelados na cama, e entra um filho porta adentro e às vezes trazendo um pai? Peloamor!

Segundo desafio: “a casa é sua, mas antes é minha, filharada”.

Para entrar ou sair e para trazer alguém, mesmo que seja o papai ou a mamãe, usem o whatsapp e aguardem meu OK. Agora portas sempre com trinco por dentro e  reforço na portaria que ex não mora lá e precisa ser anunciado. Tanto na minha, quanto na dele. Outra peleja! Mais uma meia dúzia de bicos e malcriações para administrar. Acabou a farra da extensão das casas. Vou dar um pulinho lá!, chega!

Terceiro desafio: eu sou eu e o ex é o ex.

Dos dois lados. Tanto a minha família quanto a dele, adoram perguntar dos ex e contar histórias daqueles tempos. Bora cortar isso? Não sabemos dos exs. Quem quiser notícias ligue para eles. Podem ter amizade à vontade, mas somos duas pessoas com vidas separadas. As histórias do tempo em que nossos atuais eram casados com os outros, pertencem a eles. Não devem ser negadas e nem escondidas. Mas de verdade, está no passado. Isso incluir fotinhos também. Mais uma pedreira! “Lembra de quando você o ex batizaram a Julinha?” ; “Ai aquela vez que o borrachudo picou o rosto da ex e ela teve que ir pro pronto socorro na festa do réveillon?” Sim e…? Bora, cortar a conversa!

Quarto desafio: não resolveremos os problemas financeiros que envolvem os ex e as pensões.

O dinheiro de cada um é de cada um. Não resolveremos as brigas ou desentendimentos sobre educação ou comportamento dos filhos que haja entre pais e mães. Os filhos são deles. Mãe e pai são sagrados. Por que isso desgasta muito a sua nova relação. Ele não é pai do seus filhos e não deve ser envolvido nas suas questões com o ex, que são muitas. Preserve seus filhos de envolver o atual nas suas questões com os pais deles. Isso é dolorido. Nunca fale mal ou compare o outro com o atual. Guarde suas opiniões. Fale no máximo com seu atual. As vezes meu enteado reclama da mãe dele: eu respondo apenas que mãe e pai são difíceis e que ele tenha paciência. Não dou conselho e nem tomo partido. Me relaciono de boa com a mãe dele. Sou educada e no que puder, ajudo. Mas é sói isso. Graças a Deus, meu marido é assim também com o pai dos meus filhos.

Quinto desafio: não perguntar e não querer saber sobre como foi o final de semana no pai/mãe

Nem o que fizeram, o que comeram, aonde foram e quem estava junto. Só o mínimo necessário para demostrar que estou ali e se quiserem falar ou conversar, contem comigo. Invariavelmente a gente odeia o modo como o ex cuida dos nossos filhos. Por isso, inclusive, nos separamos. E isso atormenta você, seu atual e sobretudo, seus filhos. O que adianta? O que já passou, já passou. Claro, que respeitado os limites de não fazer mal ou negligenciar nossos filhos. No nosso caso, nossos ex são bons pais. Fazem aquelas merdinhas que nos irritam, mas amam os filhos e jamais os maltratariam

Sexto desafio: a relação de cada um dos novos membros deve ser construída por cada um sem intermediários ou intérpretes.

É bom que as relações surjam espontâneas e verdadeiras, entre cada um sem forçação de barra! Eu e meu enteado. É entre nós. Se o pai dele não gostou, falamos depois em privado. Ele e cada um dos meus filhos, ainda mais que não são crianças. Ele e meu ex. Eu e a ex dele. Eu e meus sogros e cunhados. Meus filhos entre si e com estes novos “avós” e “tios”. Pro lado dele tá mais fácil, minha família é de outra cidade. “Ah, seu filho falou isso pra mim e eu não gostei”, esquece. Não gostou diga você mesmo e resolva com ele. Você já é grande o suficiente para não precisar que alguém te ajude a entrar em acordos, certo? Se há amor, respeito e boa vontade, tudo se resolve. E tem coisas que não precisam de DR. É só esperar. Tem dia que a gente tá mesmo meio azedo. Não precisa conversar tudo, querer resolver tudo.

Sétimo desafio: que oportunidade temos de fazer coisas juntos, que todos gostem e que facilite a aproximação e o surgimento de uma relação?

Cinema, joguinho de carta? Pizza ou churrasco em casa? Pequenos passeios? Viagens? Caronas? Até que tiramos férias juntos e fomos para Orlando. Alugamos uma casa lá e moramos juntos uns dias. Eu e meu gato no quarto principal. Vidinha de casado. Foi uma loucura! Pro bem e pro mal.

Procuramos estar neutro nas divergências entre eles. Mas os ouvimos. Procuramos ter tempo com cada um e com todos. Fincamos estacas no limite do que é nosso como casal e não aceitaremos palpite. Fincamos bandeira também na relação de cada filho com o outro pai para não atravessar fronteiras. E no mais, aprendemos a nos amar e ir toureando as pequenas contrariedades cotidianas: um não tira o prato de cima da mesa; o outro fala muito alto; o outro deixa as coisas espalhadas… enfim, a casa nunca mais foi o que eu gostaria de arrumação, mas todos se sentem bem por lá. Eles só somaram na minha vida e eu na deles. Ampliar a família é uma benção! E ensinamos demais as nossas crianças sobre diversidade, aceitação e convivência. Umas DR´s de vez em quando, muitos beijos e sorrisos. E assim vamos levando. E você, me conta sua fórmula?

Mãe, esposa, boadrasta, mulher e FELIZ! Foi lagarta, hoje é borboleta. Atua como Consultora em Educação Corporativa há 25 anos. Professora, palestrante e instrutora. Mestranda em Gestão do Conhecimento - ESPANHA; Pós Graduada em Gestão de Pessoas - PUC/RJ, terapeuta Holística - UNIPAZ/SP; Pós Graduação em Psicologia Positiva - IPOG/SP Psicóloga, Coach e Mentora.