A difícil arte de aceitar que acabou...

Vamos fingir que ainda somos um só.

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Volta. Não vai embora ainda. Fica.
Vamos fingir, só por mais um dia, que ainda somos um só.
Eu amei tanto que nem sabia mais onde terminava a minha vida e onde começava a sua. Por muito tempo funcionamos melhor juntos. Éramos aquele tipo de casal que todos admiravam e invejavam também. Era pra ser pra sempre.
Era…
Então fica. A gente finge, inventa uma outra vida. Uma realidade paralela onde não nos perdemos um do outro. Nem dissemos tantas palavras duras.
Volta.
Não foi nossa culpa. Foi a vida. Foi o mundo. O trabalho, o trânsito, o tempo, a chuva, a correria. Foi a falta de água e a alta do dólar que atrapalhou nossa fuga pra longe de tudo isso. Foi minha crise de rinite que não nos deixou dormir tantas e tantas vezes, ou talvez a sua mania de ligar o ar condicionado mesmo nas noites mais frias…
Foi nossa incapacidade de amar e entender, apesar de tudo. Apesar da queda da bolsa, apesar da crise política e daquele problema no cabo da internet que nos deixava sem Netflix quase todo fim de semana. Mas não foi falta de amor…
Era tudo tão mais fácil antes. Quando éramos nós dois e o resto do mundo.
Acho que é isso que chamam de paixão, né?!
A nossa durou tanto tempo que acreditei que seria assim sempre.
Não foi.
A tal rotina foi destruindo tudo aos poucos. Cansaço virou dor de cabeça, que virou durezas desnecessárias, que se tornaram pequenas mágoas, que se acumularam até formar esse imenso buraco entre nós dois.
Volta. Não vai. Vamos dormir. Já está tarde.
Amanhã a gente conclui de novo que já não dá mais.

 

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*Photo credit: clabudak via Visualhunt / CC BY
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Clara é escritora, divorciada, mãe, apaixonada, feliz. O seu maior prazer é deixar as palavras brincarem na sua cabeça e assumirem o controle. Recomeça todos os dias, se equilibrando em mágoas e amores.