A VIDA PODE SER MUITO MELHOR SEM ELE

Precisamos desconstruir o castelo de areia que criamos e que não era real, só existia na nossa mente. Esse exercício é de resignificação dos nossos sonhos, entender que o futuro não é ruim, só é diferente e pode ser muito melhor. A partir daí planejar o que fazer e definir novas metas e seguir em sua direção.

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Photo by Pixarbay

Cheguei em casa naquele dia muito disposta e cheia de novidades, enquanto falava notei que ele não me encarava, pensei que ele estava com algum problema. Mal sabia que eu que quem estava com problemas era eu! Perguntei: O que houve? Ele pegou na minha mão, beijou-a e disse: Precisamos dar um tempo!

Como assim, dar um tempo é coisa de namorado. Somos casados há 27 anos!

A partir de então, minha vida parecia que tinha sido colocada em um liquidificador ligado, e cada lâmina cortava, e cortava de novo e de novo. Fiquei em micro pedaços, confusa, ansiosa, deprimida, insegura e cheia de culpa. Não conseguia trabalhar, estudar, falar com as pessoas, até porque acreditava que aquilo que estava vivendo era uma fase e que logo a convivência se restabeleceria. Mas não era.

Sofri muito, chorei muito e aos poucos fui me conscientizando que a realidade era aquela e que não mudaria, e a minha postura faria toda a diferença. Eu precisava superar e recomeçar minha vida, que, aliás, estava totalmente administrada por ele.

Todo dia rezava e pedia para Deus me restabelecer a serenidade, para me ajudar a entender as contas que chegavam em casa e eu não sabia o que era e que me fizesse sentir que tudo aquilo não era o fim do mundo, era só uma nova etapa da vida. Eu queria me convencer que era uma mulher forte e que poderia sobreviver sem aquele ser, que se foi, sem considerar a nossa história, o afeto vivido por anos, os filhos, a família, os bens conjuntos e tudo mais.

Um dia eu li uma frase que dizia mais ou menos que só sai da sua vida, o que na verdade não está mais, e que temos que deixar partir. A partir desta frase entendi que não havia mais nada entre nós, estávamos acomodados e infelizes e isto fez com que a relação malograsse, também não houve DRs, conversas ou tentativas… mas, o que importa é que estava só e precisava recomeçar.

Precisamos achar força e garra dentro de nós, aceitar o termino do ciclo e procurar olhar os ganhos da mudança, abrir o coração e os olhos para as novas sementes que querem frutificar em nossa vida.

O fim de um ciclo marca o inicio de outro, isto é fato. A aceitação do novo passa por abandonar o velho, se libertar dos laços com o passado. Isto é algo que um terapeuta pode ajudar, mas certamente um amigo positivo e comprometido em te ajudar também pode e muito.

A mudança começa dentro de nós, no nosso olhar para as oportunidades, prazeres simples e oportunidades.

Aproveitei que emagreci 15k e apertei as roupas, comecei a me apropriar da minha casa e das minhas contas, foram inúmeras planilhas para entender quanto custava e o que tinha para pagar, isto foi me dando segurança que eu poderia me sustentar e aos poucos comecei a ligar para amigos que eu sabia que poderiam me convidar para sair. A princípio todos os programas eram culturais, ia a workshops, cursos, palestras, etc. E neste mundo de atividades para “mim mesma” eu comecei a encontrar outras pessoas “solteiras”, que passaram então a me convidar para outras atividades, e um apresenta o outro, e outro e de repente me vi em uma “realidade paralela” que os casados não tem a mínima noção que existe. São inúmeros grupos de solteiros, de atividades, de ajuda mutua, como o EXNAP por exemplo.

Comecei então a meditar as segundas, sair para bater papo às terças feiras, ir a balada na quinta, sexta viajava com as amigas e quando não viajo, tem um almoço com amigos, uma apresentação, uma exposição, um vernissage, etc… Uffaaaa!!!! Atividade demais, gente demais.

Hoje, passados 3 anos, reduzi um pouco minhas atividades, pois estava em uma roda viva para dispersar minha angústia, saio somente nos finais de semana e eventualmente em outros dias.

Tenho hoje minha vida na minha mão, com total controle. Tenho a liberdade de ir e vir, o que é maravilhoso, privacidade para ficar só quando quero, serenidade e paz, porque não tenho ninguém mais me criticando o tempo todo, não tenho mais cara feia, sensação de que estou devendo algo o tempo todo, o que ninguém merece viver permanentemente, em um ambiente. Hoje tenho muita diversão e amigos queridos.

A culpa? Que culpa? Ninguém tem culpa. As pessoas se casam em uma etapa da vida e ao longo do tempo, cada um amadurece e de repente as duas pessoas que se casaram lá atrás, já não existem em sua essência.

Precisamos desconstruir o castelo de areia que criamos e que não era real, só existia na nossa mente. Esse exercício é de resignificação dos nossos sonhos, entender que o futuro não é ruim, só é diferente e pode ser muito melhor. A partir daí planejar o que fazer e definir novas metas e seguir em sua direção.

Sinto que minha vida hoje é muito melhor!

Estou plena, e plena estou aberta a uma nova relação, ou não, pois não é a presença do outro que irá me fazer mais feliz a partir de agora.

Em uma conversa entre amigas, Ana e Juliana, ambas separadas e Aline, casada, falavam de divórcio e de como esse assunto ainda é visto como um tabu. Existe (acreditem!) muito preconceito e clichês. E só sabe isso quem vive ou viveu um divórcio.