Água até o umbigo

Já saltei de cabeça em relacionamentos fadados ao fracasso e também já deixei de me relacionar com pessoas muito interessantes...

água até o umbigo

Água até a altura do umbigo, já dizia a vovó.

Tentamos, mesmo que em nossa profundidade, continuar batendo com a cabeça em situações muito rasas. O contrário também acontece quando somos rasos, mergulhamos em terrenos profundos e acabamos por nos afogar.

Meus terapeutas sempre me aconselhavam para que eu fosse menos impulsiva. Me afogava o tempo todo, passava por períodos intensos de afogamento-recuperação, cansada, machucada e repetindo os mesmos padrões. Isto me levou para uma fase cética e fria, em que eu media e calculava cada movimento para me manter em segurança. Pensando bem, ainda estou um pouco dentro disso.

Já saltei de cabeça em relacionamentos fadados ao fracasso e também já deixei de me relacionar com pessoas muito interessantes, porque analisei praticamente a estrutura óssea e a árvore genealógica delas e hum, talvez essa unha do pé torta não esteja me agradando tanto.

E foi aí que descobri o meio termo. Sim, prestes a completar meus quarentinha, eis que consigo experimentar desta linda alternativa. Não que eu tenha deixado a intensidade de lado e nem que eu nunca mais vá trocar os pés pelas mãos, nada disso. O que quero dizer é que molhar só a pontinha dos dedos dos pés nos mantém com a sensação de seguridade, porém não há emoção e pouco se aprende; e se afogar o tempo todo cansa e nos tira a luz dos sentimentos.

Estou tentando assim: nem a secura e nem o tsunami. Quero águas que fluem naturalmente em suas marés de altos e baixos, respirando tranquila e, por vezes, até perdendo o fôlego. Com margem de segurança. E com amor, muito amor.

Conheça mais do trabalho da artista plástica Camila Morita

Link do trabalho www.flickr.com/camilamorita

Instagram: @moritacamila

Camila Morita é formada em Arquitetura e Cenografia e dedica-se à ilustração e pintura desde 2007. Sua obra passa por várias fases e representa cada circunstância marcante em sua vida, resultando em séries intimistas e com um plano de fundo onírico. Para complementar estes grafismos, utiliza de textos para concluir e reorganizar os próprios pensamentos e devaneios.