ÁGUA FERVENTE - O Diário de Verônica Volúpia

Transar na água dá mais trabalho do que prazer. Será?!

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Transar na água dá mais trabalho do que prazer. Essa foi a conclusão que Thomas e eu chegamos, entre risos, ao voltar do luau numa praia particular em Santa Catarina, onde passamos o fim de semana. Na beira da praia, com areia pinicando e o mar chicoteando lombos nus, o caos é grande. A onda vem, derruba para um lado, você volta pra cima, paf, a enxurrada joga para o outro. Gentilmente, talvez não tanto, o seu par coloca você deitada de costas. Os dois rolam ensandecidos sob as estrelas, ai, ui, tira essa concha que grudou nas minhas costas, por favor. Muito lindo em fotos e no cinema. Na vida real, tortura ao cubo. Fiquei toda lanhada.

Meio-dia em ponto, a piscina do resort estava deserta e convidativa. Coloquei a pontinha do pé na água para medir a temperatura. Hum, delícia. Do alto de seu apetitoso 1,90m, Thomas lançou-me um olhar concordante. Enlaçou-me a cintura e o beijo foi daqueles. O plano era sairmos para almoçar, mas depois de uma semana chuvosa, o sol refletido na superfície límpida teve o efeito de um ímã. Fio dental e sunga a postos, tiramos a roupa e caímos dentro.

Vinda de algum lugar detrás dos arbustos que rodeavam o deck, a conversa animada de um grupo de americanos nos manteve comportados. Nadamos, boiei, ele mergulhou, olha que lindo passarinho pousou naquele galho, crawl, costas, hei, um inseto estranho caiu na água, momentos pueris. Bastou o arredor silenciar, a moça da limpeza que varria as folhas secas sair de perto, os insetos e passarinhos escassearem, pronto, caímos dentro. Um do outro.

Começou sutil. Thomas segurou-me de barriga pra cima enquanto eu, de olhos fechados, me deixava conduzir. Meus peitos, melões-telescópios, rasgavam a água fazendo ondinhas. Arrepio. A cabeleira negra, feito tentáculos de Medusa, dançava um ritmado balé aquático vez que outra encostando nele. Afago. Thomas parecia estar se divertindo. Pra lá e pra cá, ele me empurrava como se brincasse com um barquinho de papel. “Linda”, sussurrou. As mãos dele passeavam no meu convés provando e comprovando que de papel eu não tinha nada.

Abri os olhos quando Thomas puxou a cortininha do biquíni, abocanhando meu seio. A boca quente em contraste com a água fria me fez saltar. Olhei para os lados em busca de voyeurs. Espreguiçadeiras vazias, céu azul, libélulas. Agarrei-o pelo pescoço e me enrosquei. Rosto com rosto, barba por fazer arranhando gostoso, braços dando voltas um no outro, peitos colados. Minha língua tomou vida própria e se esgueirou ousada no labirinto do ouvido dele, o que provocou a compressão descomunal de um abraço. E outra compressão nadinha inocente. Ula-lá.

Não resisti. Soltei a corda do calção. Desfazendo o nó, fiz a festa. Só não caí de boca porque, bem, ainda não desenvolvi a técnica de respirar debaixo d´água. Desta vez foi Thomas que empertigou-se e conferiu se não vinha ninguém, enquanto a minha mão trabalhava lépida e faceira. “Ooouf”, ele fez. E me mordeu o lábio. A mordida virou beijo que virou duelo de línguas. Venceu a dele: engoliu-me sem piedade. Meu cóccix, esmagado pela força com que me puxava, doeu. Entrelacei as pernas na cintura maciça e senti, sorrateiramente, dedos afastarem o biquíni para o lado. Uma onda de calor rompeu rasgando minhas entranhas. Uma onda nada líquida, nem gasosa, mas sólida como rocha.

A discrição foi um elemento afrodisíaco. Quem chegasse à borda e olhasse pra nós jamais imaginaria que nos fundíamos da cintura pra baixo como gêmeos siameses. Thomas regia com maestria nosso ritmo passeando de ponta a ponta como quem está de chameguinho com a namorada. Em cada azulejo, cada centímetro cúbico daquela piscina, ficaram gravados nossos gemidos. Sutis exclamações permeadas de clandestinidade. Transar na água dá mais trabalho do que prazer. Não sei onde eu estava com a cabeça ao dizer isso.

Trecho do livro “O DIÁRIO DE VERÔNICA VOLÚPIA”, por Ana Kessler.

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O Diário de Verônica Volúpia – As picantes confidências de uma libertina moderna, ousada, sexy. Sem tabus.

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Ana Kessler é escritora e Coach. Foi editora-chefe dos portais femininos Bolsa de Mulher e Tempo de Mulher, e coordenadora do núcleo de internet do Jornalismo da TV Globo/RJ. É autora das séries "Sensações de Sofia" e "O Diário de Verônica Volúpia", que virou livro. Gaúcha de Porto Alegre, paulistana de coração, é apaixonada pela alma humana e pela filha Ana Bia, de 12 anos, o amor da sua vida. É sócia do EXNAP, cuida da área de Planejamento e Novos Projetos.