Amores prováveis acabam. Os improváveis também

Lá fora só existia sol até mesmo nas noites de tsunami na alma.

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Amores prováveis acabam. Os improváveis também.

Por que precisam despir sua alma para todos? Por que precisam explicar e replicar a todos os julgadores de dores e erros alheios. Tantas perguntas e tantos julgamentos.

Como explicar o que nem eles entendem? Descrever os motivos do fim de um amor eterno. Não era pra sempre, afinal. Nem perfeito, nem intocável…

Erraram juntos, erraram separados e acertaram outras tantas vezes. Cresceram juntos, caminharam separados e acabaram seguindo caminhos opostos.
Parece simples. Mas é de uma complexidade quase enlouquecida. Faltou amor afinal. Faltou sorriso rasgado, cosquinha e umas doses de risadas daquelas que fazem chorar.
Sobraram lágrimas e palavras que nunca deveriam ser ditas. Dividiram a vontade de estar juntos e multiplicaram as mágoas jogadas ao vento. Restaram lembranças de uma saudade já inexistente. Falta de um amor em paz. Matemática do desastre.

Agora é preciso sair por aí exalando explicações simples que apenas alimentam curiosidades e críticas.

Como é difícil aceitar o fim de um amor…. Quem está lá fora não viu o amor escorrendo por entre seus dedos, como areia esvoaçante. Lá de fora não se via suas asas querendo rasgar o peito para enfim fugir daquela prisão de ciúmes e inseguranças.

Lá fora só se via um amor perfeito.
Com frutos perfeitos.
Lá fora só existia sol até mesmo nas noites de tsunami na alma.

Mergulhos em dúvidas a fim de caçar certezas para satisfazer aos outros.

Amanhã anunciarão no jornal. Na sessão de óbitos.
Hoje morreu um amor imortal. Pereceu durante tanto tempo que não deixou tantas saudades como se esperava. Faliu por falta de investimento emocional. Morreu de cansaço e de necessidade. Desligaram as máquinas morais que o mantinha vivo, por vontade de renascer.
Que saibam todos e que não mais lhes encham com as suas dúvidas. Não perguntem se ainda acreditam em amor. Amem apenas e deixem amar.
A si próprio e a quem mais quiser.

Clara é escritora, divorciada, mãe, apaixonada, feliz. O seu maior prazer é deixar as palavras brincarem na sua cabeça e assumirem o controle. Recomeça todos os dias, se equilibrando em mágoas e amores.