Arquitetura Emocional

Não há exatidão em nós mesmas e a vida não é feita de fórmulas prontas. Mas, depois de passar por 3 relacionamentos abusivos seguidos, resolvi me dar uma temporada de férias.

arquiteturaemocional

Quando criança, adorava construir edificações com pecinhas do jogo de dominó. A cada montagem, identificava alguns de seus pontos fracos e assim, na estrutura seguinte, reforçava as bases para que meu castelo pudesse ser mais alto e forte.

Não há exatidão em nós mesmas e a vida não é feita de fórmulas prontas. Mas, depois de passar por 3 relacionamentos abusivos seguidos, resolvi me dar uma temporada de férias. Nada de chantagens, humilhações, chacoalhos, ameaças, agressões. Nem medo. Nem noites em claro sob a ação corrosiva do pavor. Determinei que dali em diante jamais haveria dor novamente.

E como colocar isso em prática? Primeiramente, uma pausa para reconhecer e entender onde estava falhando na escolha de meus parceiros – sim, isto quer dizer que passei um longo período sozinha. Depois, preencher estes buracos com algo meu. Uma vala de expectativas, traumas, carências e inseguranças deu lugar ao maior e mais forte pilar de todos, o amor-próprio. Já disse e repito: sem autoamor o relacionamento tende a tornar-se muleta.

Ah sim, tem outro ponto relevante que é aceitar a realidade. Construí um castelo e sua fortaleza, porém não há princesa indefesa. Tampouco existe o príncipe encantado. E talvez eu seja o próprio dragão. Amansado que seja, mas me identifico muito mais com ele.

Percebi que o meu maior erro era abrir mão da edificação toda, e a minha própria persona se perdia quando recebia uma visita. Esta, remexia minhas estruturas da maneira que bem entendia e não havia mais como me encontrar em meio ao labirinto que eu mesma me tornara.  O que estou experimentando no momento é a construção de uma bela ponte, entre a minha estrutura e a do meu parceiro. Visitamos a torre principal um do outro, nos deliciamos com suas paisagens e temos livre acesso para ir e vir.

Mantendo as fundações firmes e protegidas, onde ninguém mais entra.

Camila Morita é formada em Arquitetura e Cenografia e dedica-se à ilustração e pintura desde 2007. Sua obra passa por várias fases e representa cada circunstância marcante em sua vida, resultando em séries intimistas e com um plano de fundo onírico. Para complementar estes grafismos, utiliza de textos para concluir e reorganizar os próprios pensamentos e devaneios.