Arriba, un poquito más

Quantas coisas deixamos de perceber por falta de atitude em mudar o ângulo de nossos pontos de vista? Quantas qualidades não enxergamos em nós mesmas e nos outros?

Arriba

Perto de casa tem uma pracinha, onde passeio frequentemente com meu filho e cadela.  Nada de mais, todos fazem isso, não é mesmo?

Me sentei perto do tronco, que há anos é meu companheiro de passeio. Olhei para o alto, fiquei muda. Percebi sua copa enorme e folhosa, linda, majestosa! Que árvore é essa? Onde eu estava com a cabeça? Nunca havia a notado inteira, muito menos sequer o desenho lindo que ela faz em contraste com o céu azul de outono. Me senti totalmente embaraçada, envergonhada, fiquei sem chão. 

Quantas coisas deixamos de perceber por falta de atitude em mudar o ângulo de nossos pontos de vista? Quantas qualidades não enxergamos em nós mesmas e nos outros? E também, por outro lado, o que falta dentro das nossas relações quando passamos o paninho e fingimos que está tudo bem? E principalmente: olho para dentro de mim com diferentes pontos de vista? São muitas as questões.

Um simples olhar para cima, você pode estar pensando. Mas não, não é um simples olhar para cima. É um olhar para cima, perceptivo. Uma mudança de perspectiva por um segundo. Talvez eu já houvesse dado uma olhada ali ao redor. Mas eu estava aberta para perceber? 

O tronco segura a copa assim como o pescoço, a cabeça. A diferença é que o pescoço tem autonomia. É hora de movimentar.

Conheça mais do trabalho da artista plástica Camila Morita

Link do trabalho www.flickr.com/camilamorita

Instagram: @moritacamila

Camila Morita é formada em Arquitetura e Cenografia e dedica-se à ilustração e pintura desde 2007. Sua obra passa por várias fases e representa cada circunstância marcante em sua vida, resultando em séries intimistas e com um plano de fundo onírico. Para complementar estes grafismos, utiliza de textos para concluir e reorganizar os próprios pensamentos e devaneios.