As fases da rejeição

É muito louco isso, da rejeição. A gente acha que está vivendo uma dor única, exclusiva, mas se analisar com uma lupa, percebe que há pontos em comum. É um sentimento que passa por fases.

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“Você partiu meu coração.. Ai meu coração.. Mas meu amor não tem problema, não, não.. Agora vai sobrar então.. um pedacim pra cada esquema.. Só um pedacim..”, quem já sofreu com um pé na bunda bota o dedo aqui.

Tem dia que o nosso coração amanhece assim, doííído. E faz pensar. É muito louco isso, da rejeição. A gente acha que está vivendo uma dor única, exclusiva, mas se analisar com uma lupa, percebe que há pontos em comum. É um sentimento que passa por fases.

FASE 1: O sustoComo assim não me quer mais? Uns caem direto na depressão, autocomiseração, mas quem tem um pouquinho de discernimento e autoestima recolhe os caquinhos, levanta o queixo e respeita a decisão do outro, que é do outro e não tem nada a ver com a gente. #sqn

FASE 2: Eu sou mais eu – não quer tem quem queira. É a fase do despeito. Você sai procurando todos os ex, principalmente aqueles que te amam e você não quis, para encher a tua bolinha. Eles dizem, repetem incansavelmente que você é linda, maravilhosa, que o cara é um trouxa, babaca, burro pra dedéu, que vai se arrepender, querer voltar. E claro que tentam again and again tirar uma casquinha, porque é isso que os ex fazem e é para isso que servem: para elevarem nossa autoestima. E dar um colo, né, porque ninguém é de ferro.

FASE 3: da saudade (também conhecida como “infinito vazio”) – Passado o sufoco inicial do susto e do despeito, cai a ficha de que o beijo, o abraço, o toque, a companhia daquela pessoa que até bem pouco tempo atrás (pouquíssimo) fazia parte da sua vida não é mais seu. O peito começa a apertar, você dá uma folheada no Instagram, vê fotos juntos, tantos sorrisos, tantos momentos lindos compartilhados. Ele ali, focado em você. Você feliz e saltitante. E dá uma saudaaaaade.

FASE 4: da esperança – Secretamente você começa a nutrir uma esperança de que ele esteja sentindo o mesmo (sua falta!), reavaliando a decisão, quem sabe pensando em voltar. Será que ele está sofrendo também? Você gosta dele, deseja o bem, não quer que ele sofra,mas nessa hora o sofrimento do boy é bálsamo, colírio para os olhos, música para os ouvidos. Você pensa nele pensando em você, fala em voz alta com ele na frente do espelho, diz/escreve/desabafa com as amigas tudo o que sente. É uma fase perigosa.

É neste momento, em geral, que a gente comete a besteira de mandar pro bofe todos os nossos sentimentos mais puros e genuínos empacotados em áudios e textos e fotos e qualquer miséria de contato que inventamos, achando que ele está na mesma vibe de “sofrência” e vai se comover. Como se a vida fosse uma varinha do Harry Potter. Plim. Não é. Provavelmente já está em outra, com outra, com a anterior, com a próxima. E a sua recaída só reforçará nele a certeza de que não era você. Porque ao se oferecer, você vira opção. Retire-se. Retenha-se. Contenha-se. Seja exceção.

Anote: Se há uma chance do cara voltar é você sumindo do mapa. Isso não garante, mas é a única alternativa. Aproveite para focar em si mesma.

FASE 5: retomada – Muito bem, você conseguiu se conter e mandou todas as poesias para as amigas, não pra ele. Chorou no chuveiro. Comeu potes de sorvete. Voltou a ver cor nos dias cinzas. E, lentamente, aceitou que não era pra ser, que há 7 bilhões de seres humanos no planeta e uma boa chance de você ser feliz com outro (sim, há muitos outros). Retoma seu poder, volta a exalar aquela alegria de viver que lhe é nata, sente-se bonita, leve, exuberante. Começa a ser paquerada, a borboletear toda plena. Acha até que foi bom o fim, porque o cara, afinal, nem era tão cereja do bolo assim.

Aí, ele volta. Sim, é nessa fase que eles voltam. Muitas vezes, voltam querendo voltar. Porque o mundo dá voltas. Muitas, muitas voltas. E você gira, e ri, e topando ou não o recomeço, sabe que é dona de si. Não é uma maravilha, viver?

Ana Kessler é escritora e Coach. Foi editora-chefe dos portais femininos Bolsa de Mulher e Tempo de Mulher, e coordenadora do núcleo de internet do Jornalismo da TV Globo/RJ. É autora das séries "Sensações de Sofia" e "O Diário de Verônica Volúpia", que virou livro. Gaúcha de Porto Alegre, paulistana de coração, é apaixonada pela alma humana e pela filha Ana Bia, de 12 anos, o amor da sua vida. É sócia do EXNAP, cuida da área de Planejamento e Novos Projetos.