Batatinha frita um... dois... três... Lá vou eu!

Brincar é coisa séria, diriam nossos filhos para nós.

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Enquanto alguns de nós ainda aproveitou até ontem esse restinho de janeiro, a maioria das crianças já retornou às escolas na semana passada. E período de aulas para alguns pais é sinal de preparação para a retomada da rotina do judô, balet, xadrez, futebol, oficina de cupcake e aulas de mandarin. E você leitor? Como está a preparação e a reflexão sobre o que é prioridade na rotina dos seus filhos na sua casa? Pequenos executivos com a agenda cheia de cursos e momentos de aprendizado? Ou longas horas brincando com o que der na telha?

Muitos de nós nos perguntamos o que é melhor – ocupar o tempo dos filhos com toda a sorte de cursos e oportunidades de serem melhores pessoas e alunos ou deixar que eles relaxem e brinquem do que quiserem no tempo que não estão na escola? Devo ser sincera e dizer que para essa pergunta, como para quase tudo que envolve filhos, não existe resposta fácil. Mas a palavra chave volta a ser o equilíbrio – a tranquilidade do caminho do meio é sempre mais segura.

Muitos pais se empenham para poderem proporcionar a seus filhos as mais variadas experiências quando estão fora da escola, mas muitos deles ainda ultrapassam o limite do equilíbrio e se esquecem de deixar tempo extra para a brincadeira livre, para o não fazer nada a sós ou com os colegas em uma tarde regada a bolinhos de chuva e limonada! Brincar é coisa séria, diriam nossos filhos para nós.

Os estudiosos do assunto escreveram teses e mais teses sobre a importância do brincar na vida das crianças . O ser humano nasce e cresce com a necessidade de brincar sendo esta uma das atividades mais importantes na vida de todos nós animais, racionais ou não – você já reparou que todo filhote brinca?. Por meio do brincar, seu filho desenvolve suas potencialidades, como também trabalha com suas limitações experimentando com suas habilidades sociais, afetivas, cognitivas e físicas. Quando você preenche o tempo livre do seu filho com uma atividade depois da outra, rouba dele a chance dele se expressar livremente consigo, com o outro e com o meio.

Repito que podemos dizer sim que O BRINCAR é coisa séria quando o assunto é o seu filho. Durante as brincadeiras ele representa o que imagina, cria em cima do que imaginou , usa o faz de conta para entender a realidade que a cerca e vive o momento para elaborar o que ainda é difícil. As nossas crianças aprendem com as relações, cheias dos valores e das crenças do ambiente que as cerca, da nossa cultura.O que não quer dizer que você tenha que deixá-lo sem ocupação alguma quando está fora da escola. Se tanto pai quanto mãe enxergarem algumas – e não todas – atividades como prioritárias, aprendam a escolhar junto com os filhos: se na votação ganhar a aula de inglês, deixe o mandarim, o espanhol e o francês de lado. Se for matriculá-lo na natação, esqueça por um tempo o judô, o balet e a capoeira. Priorize!

E lembre que a troca que ocorre nas brincadeiras é o que gera as possíveis modificações de comportamento e o que faz pensar, o que faz crescer. A experiência com o outro de alguma forma influencia diretamente na vida da criança, e indiretamente na nossa vida também. Ao interagir com o meio, a criança torna-se um ser ativo, que constrói estruturas mentais, explora o ambiente, tem autonomia própria, e é capaz de superar desafios para conquistar seu espaço. A criança que não brinca está fadada à cópia daquilo que vivencia. Brincar é preciso!

E você? Será que neste ano que se inicia consegue fazer mais pelo equilíbrio e não pecar pelos excessos ao montar a agenda dos seus filhos?

E não vale dizer que …. “ah, mas meu filho adora ir ao tênis, depois mandarim, depois aula de natação. Ele até pede mais…” Lembre que o papel de adultos é do pai e da mãe, e somos nós quem precisamos olhar pelo que é ou não saudável na seleção das tarefas – junto com os grandes pequenos sempre que possível, claro! – mas o papel de refletir e conversar sobre o que está demais é nosso! A tarefa é dobrada para os casais separados mas nada é mais importante do que oferecer um espaço para que seu filho cresça com o melhor que for possível para ele neste momento certo? Quem sabe você até encontre um bambolê ou uns carrinhos guardados e se dê à liberdade de sentar no chão para brincar com seu filho também. Brincar não tem idade e ninguém esquece. Se precisar, peça ajuda aos filhos.

Abraço e um, dois três! Lá vou eu

*Photo credit: Oude School via Visual hunt / CC BY-NC
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Vanessa é mãe em tempo integral, além de psicopedagoga e pesquisadora do psicodrama, da psicomotricidade e da aprendizagem humana. Divorciada, trabalha em uma escola internacional em São Paulo como educadora e, pelas inquietações da vida, fundou com amigos uma associação socioeducacional chamada FabricAções. Em seus textos publicados aqui, procura partilhar alguns dos tijolos necessários para as pontes que precisamos construir entre adultos e crianças no que diz respeito à aprendizagem para a vida. vanessameirelles@fabricacoes.com.br