O carnaval está aí!!!!! E com ele mais uma chance de você quebrar a cara...

Fevereiro tem carnaval!!!

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Fevereiro tem carnaval!!! E você já decidiu! Vai chegar tarde no baile, em algum lugar escuro , e se esbaldar, com uma fantasia super a prova de defeito! Dessa vez vai cair na esbórnia! Usar todos os truques e valorizar os atributos, aqueles que Deus e o estojo inteiro de maquiagem lhe deram… E vai valorizar mesmo seus predicados. Já tem até a fantasia perfeita para isso… Uma burca!!!
Acho que cabe uma explicação… Você está se escondendo da “sobrencia” do réveillon. É, é “sobrencia” mesmo, quando, no desespero, você esquece que foi garota rock and roll e acaba dançando Wesley Safadão com o único cara sozinho que sobrou na festa.
É minha filha, você chegou lá, na curva, bem pertinho do fundo do poço ali do lado do “to namorando todo mundo”, que no meio da noite virou “to namorando qualquer um”. Tá, não era tão um “qualquer um”, que qualquer uma pegaria, porque você também não se achou no lixo.
E, afinal, era réveillon e você estava sozinha e não conhecia ninguém… O cara era a princípio uma gracinha… Moreno, com pegada… Você bebeu um pouco demais e ele… Bom… Pegou. Só que, nada é perfeito. Pegou e não largou mais. Virou um grude só.
Aprender a desapegar foi tão duro, tão sofrido… E na sua primeira viagem de separada, você acha que já está segura do que quer e que o que quer é “nada de sério por enquanto”… Talvez um pouco de autoestima, carinho, palavras bonitas que você não escutava há tanto tempo! Mas só isso…
Mas bastaram algumas horas, e ele já estava falando em constituir família!…
Bem… Estavam em uma ilha, então acabaram passando a semana no hotel meio juntos. Não, “meio juntos” teria sido legal… “Amalgamados” seria um termo mais correto.
Você chegou para o café, lá estava ele, com tudo já na mesa, escolhido por ele “com carinho” especialmente pra você. Você diz “bom dia” ele enfia uma flor comestível pela sua goela abaixo e diz ” olha que maravilha!”. Antes de conseguir engolir a tal da margarida, ele desfia um rosário de programação de atividades. Aí você se dá conta que tinha uma espécie de barulho te aborrecendo há algum tempo… Logo percebe: esse cara não é daqui. Tinha uma coisa te irritando que você achava que era a falta de café, mas depois da margarida, você acordou. Era o sotaque. Sério, não conversaram muito na troca de carências de ano novo. Ele te tirou para dançar, a música era alta, a carência era alta, ele era alto, você estava alta… E a língua dele estava na sua garganta umas três musicas horrorosas depois… Por isso, só no café da manhã você reparou que o rapaz era “importado”. Falava em português, mas com aquele famoso sotaque de “pelo amor de Deus, fale em mímica antes que eu te estrangule”. E te apressando para tomar seu café.
Acontece que você AMA café de hotel. E pagou bem caro por aquele café do dia primeiro de Janeiro do hotel. Seu primeiro hotel de solteira da Silva, aliás … Cara, você pensa, fica ai com a tal margarida, que eu você ficar com meu café, meu croissant e tudo que tiver direito. Principalmente o silêncio.
Ok, não conseguiu… Ele tinha feito a “surpresa” de te incluir na procissão de barcos do dia primeiro. Reservou lugar para “nós” (que “nós”? Você nem lembra o nome dele!!!) no barco dos turistas… Eba!!!.
Nada melhor para a ressaca do que comer, entrar num barco cheio de gente com axé tocando a mil! E um calor! Mas, vamos que vamos… E foram! Chapéu, biquíni, chinelo, celular a prova d’Água e o “alien” acoplado na sua lateral. Ai ele pede para passar protetor nele e deixar uma camada extra. Sabe Nívea que sua mãe te passava nos anos oitenta que te deixava com cara de índio? Pois é, o programa agora era totalmente de índio. E ele era tão gentil… Tão gentil, mas tãaaaao gentil que se você sucumbisse à tentação de jogá-lo ao mar daria cáries nos tubarões.
Já está ouvindo suas amigas… “Mal agradecida. Tanto tempo mal tratada e sozinha, quando aparece alguém legal você despreza? Merece ficar sozinha…” Aham… Vai vendo.
Um visual lindo ( e caro) e ele sempre na frente da foto. O ar tão puro e cada respiração traz o bafo dele junto. Ele gruda tanto que quando andam parece gincana do saco, vc não sabe qual é a sua perna qual é a dele. 3 dias de “relacionamento” e você já finge enxaqueca. Você no paraíso e o Adão é tão chato que você não consuma a relação. É isso mesmo. Igualzinha ao Acampamento de escola. Beijos e mais beijos e só. Tá, acampamento da sua escola, vai pensando que no da sua filha é assim…
E eis o fim. Ou o que você pensava que iria ser o fim. Hora de ir pra casa. O pacote era de uma semana. Você diz tchau e anseia por sua casa, para o seu merecido e meio melancólico conforto do lar. Ai sorri para si mesma e fala: até que foi legal ter alguém no meu pé pra variar, e vai dormir…
Dia seguinte, de volta ao trabalho. Alguém morreu? Tem flores por todos os lados. Tomara que tenha sido aquele diretor nojento… Quê? As flores são pra você? O cara descobriu o endereço da empresa!!! E escreveu “SALDADES” com “l” nos cartões. Você liga para sua melhor amiga e no lugar de conforto recebe um “aaaaai que fofo! Quem me dera…”. Ele liga no trabalho e atribui sua frieza ao profissionalismo. Você inventa jantar na casa da mãe para dispensar. No dia seguinte chega um urso maior do que o segurança de cara feia que veio te entregar. Ele diz que não aceita “não” como resposta e quer te levar para jantar. Você liga para sua amiga, ela diz “você se desacostumou a ser bem tratada! Vai, boba! Vai ser seu primeiro “encontro não arranjado pós divórcio” e o cara já gosta de você. E já te viu sem maquiagem e de biquíni…” . E aí você resolve que ela pode ter razão, e liga para ele aceitando o convite, mesmo porque, vai acabar perdendo o emprego se ele inventar de mandar alguém fantasiado de Kingkong…
Aí passa o resto do dia se convencendo de que tomou a atitude certa, que ele é fofo, que é gentil e que, “quem sabe”… Vai fazer as unhas, uma escova. Liga para a amiga que te deu força que está na maior torcida…
Se arruma, de verdade dessa vez. Para a noite… E vai saber onde a noite vai terminar? Sem querer, adivinha? Expectativa… Viagens que farão, apresentação para os amigos… Vai ver aquele grude era só inicial, depois diminui um pouco. E, no meio disso tudo, não negue, tem a cara do ex quando souber que você já tem outro… Tá começando a valer o esforço.
Ok. Ele está atrasado. 10 minutos. Tudo bem, o trânsito é fogo e vai ver ele não entende o que o GPS fala.
20 minutos… Você telefona, caixa postal.
30 minutos, se você já não estivesse em casa já teria ido para casa…
Uma hora e meia depois você liga para a sua amiga louca da vida. Você levou o seu primeiro bolo pós divórcio!
Sabe a única coisa pior do que levar um bolo? É levá-lo de alguém com quem você nem queria sair em primeiro lugar!!! Amiga que é amiga é solidária. Vem pra sua casa encher a cara. Vocês pedem um sushi e terminam a noite rindo.
Na semana seguinte deixa avisado para que nada daquele indivíduo seja recebido, quer no trabalho, quer na sua casa. Um telefone não identificado toca mil vezes no seu celular, você não atende. Não recebe ligação no escritório.
Uma semana depois você chega em casa e na esquina, cruzando a rua, tem uma faixa enorme dizendo “querida” (seu nome e sobrenome em letras garrafais), sofri sequestro relâmpago quando cheguei na sua casa, levaram a mim e a meu carro. Bateram em mim! Levaram minha carteira, meu celular, meu relógio e minhas roupas, mas não puderam levar meu coração porque ele já era seu!”.
Você entra no prédio e o porteiro dá risada da sua cara. Você não sabe se morre de vergonha ou de remorso. Opta estupidamente pela segunda opção e liga para o tal número não cadastrado. Coitado. Apanhou por sua causa…
Aí sai com ele, e ele fala do que aconteceu. Aí sai de novo, e ele conta de novo. Na quinta vez quando de dois já eram 6 os assaltantes você se pergunta pq nenhum tinha um porrete. E acaba decidindo que carência é uma coisa, caridade é outra e termina tudo. E o que pareceu meses e meses de angústia foram, na verdade, menos de um mês. E ele continua ligando e lotando sua caixa postal porque quer “pelo menos ser seu amigo”…
Mas você não desiste e vai em frente, como disse no começo, o Carnaval está aí…

Carla é escritora. Para ela, a vida começa e recomeça quantas vezes forem necessárias, a sua personalidade e o seu senso de humor que ditarão o quão divertida a jornada será.