Carta de Adeus

Não, não preciso de sua companhia, não mais. Eu me possuo. Eu me basto. Eu sou suficiente para a minha felicidade.

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Querida Senhora que acompanha meus passos desde pequenina, que assombra meu viver ao mesmo tempo que pode trazer uma falsa alegria profunda.

Segue meu caminho, fala entre vozes ocultas, suspira em cada encontro sabendo que no final, irei sucumbir a seus comandos.

Uma relação tão antiga que parece ter brotado junto de meu primeiro suspiro. Um tenro e tenso acordo que alimentamos por meio da raiva e da lamentação.

Eu me acostumei com você, me acostumei a senti-la diariamente por mais rodeada que eu estivesse. Acostumei tanto que falava de boca cheia o orgulho que tinha de estar contigo.

Trouxe ao meu dia a dia a frustração constante, a melancolia, a não suficiência.

Porém me lembrei, sou feita de asas!

Possuo uma tatuagem em minhas costas que simboliza o meu anseio intrínseco.

Você tem ignorado o meu pulsar, sucumbiu as últimas tentativas contagiando tudo, me puxando para o seu lamaçal sem fim.

Ah, minha querida você precisa partir.

Esta trama tende acabar, e em seu lugar um sol brilhante surgirá que ofuscará sua insensatez, sua irrealidade, sua perspectiva falsa de amor.

Não, não preciso de sua companhia, não mais.

Eu me possuo. Eu me basto. Eu sou suficiente para a minha felicidade.

E sim, eu me relacionarei comigo e com outros, e o sentir não será guiado pelos seus direcionamentos.

A confiança brota dentro e fora, criando um movimento contínuo e sem fim de laços singelos, fortalecidos e vigorosos que permanecerão o tempo necessário para o meu desenvolvimento.

Faça suas malas, leve contigo as histórias macabras, as noites em prantos e este medo contínuo que assombra o meu dia a dia.

Refaço minhas escolhas desfazendo o véu que hoje cobre meu olhar, trazendo luz a sombra que enaltece a escuridão.

De pequenos movimentos à míseras possibilidades, agarro a oportunidade de viver sem ti.

E de seu chamado me despeço, adeus solidão.

Com amor,

Elisa.

Escritora de Cartas, Mãe da Olívia, apaixonada por brigadeiro e pão de queijo. Inspirada por meu avô Hildebrando, utilizo as palavras como forma de expressão e autoconhecimento, nelas encontro a minha cura. Busco em cada escrita um caminho que conecte pessoas e gere emoção.