CHUCHU NA SERRA- "liberada para utilização pública"

O sexo e a mulher descasada...

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Por mais cordatas que possamos parecer, para todas as mulheres sadias a questão mais importante, e ao mesmo tempo menos comentada, é mesmo a questão do sexo – não importa quantos parceiros sexuais a mulher tenha tido, ainda que tenha sido só o marido.
No entanto, como logo após a separação sua autoestima parece ter ficado na parte dele da partilha, a menor menção da palavra “sexo” parece até piada de mau gosto.
A verdade é que, contando desde as últimas sessões de desafeto recíproco com o ex marido, meses podem se passar ou, em casos extremos, anos, até que a mulher volte a se envolver em um ritual físico de acasalamento.
Quase todas as mulheres recém separadas ficam meio sem saber como proceder com relação ao sexo. Para muitas, dependendo do caso e da idade, a última “primeira vez” pode ter sido na época da discoteca.
Agora, além de ficar ridícula de meias “dancing days” e sandália de plástico, o tipo “vou me guardar para o amor
verdadeiro” já não faz muito sentido.
Com o tempo, porém, a natureza começa a seguir seu curso e de repente a idéia não provoca mais tantos espasmos. Se até aqui os estágios se sucederam como descritos, a essa altura você já percebeu que conseguiu vencer sozinha todos os desafios que surgiram. E não só isso, como ainda deve estar com uma forma física invejável só de correr dos tipos estranhos que apareceram.
É impressionante como os homens se sentem atraídos pelas mulheres que têm autoconfiança suficiente para viver sem eles!
Até seu ex, se você tiver a discutível oportunidade de reencontrá-lo, terá a desconcertante surpresa de ver que você sobreviveu e está ainda melhor. Quem nunca ouviu a famosa frase “toda mulher que se separa fica mais bonita?” Claro que só nós sabemos o que nos custou – nós e a almofada agora quase sem enchimento que usamos para socar nos momentos mais críticos.
“Essa nova energia independente que você emana tem poderes afrodisíacos, e muitos homens se aproximarão dessa nova e sedutora mulher. Caberá a você escolher.”
Atenção: a frase acima é uma bobagem de proporções perigosas. É a típica ladainha que os homens falam para que você se sinta mais “mulher” no lugar de simplesmente “fácil”.
Infelizmente, a verdade é que você está física e emocionalmente tão carente que exala isso pelos poros. É essa fragilidade e não a autoconfiança que atrai os predadores.
Ainda estão em andamento as experiências que avaliam a influência da certidão de separação nos níveis de testosterona.
Ainda nenhuma delas conseguiu explicar o comportamento totalmente imbecil de alguns “machos” diante da recém descasada. Para esses “espécimes”, a mulher descasada tem a preferência quando se trata de conquistas sexuais, aparentemente
devido ao fato de que ela, ao contrário das solteiras(?), “NÃO é mais virgem”.
Sim! É esse o real motivo por trás daqueles sorrisos idiotas. Sério! A primeira coisa que passa pela cabeça neuronialmente desprivilegiada dessas criaturas é que aquela mulher “está liberada para utilização pública”.
Essa brilhante conclusão permanecerá na mente do elemento de acordo com seu grau de estupidez. Assim, os mais evoluídos logo esquecerão o assunto e poderão estabelecer um diálogo aproveitável em alguns minutos.
Infelizmente, ainda é grande o número de idiotas que andam à solta pelo planeta e ainda maior o número de homens que tentarão apenas “tirar uma casquinha. Seja como for, cabe à mulher estabelecer limites. Se quiser …
Sua consciência e seus valores morais são determinados por vários fatores. E, sinceramente, não tenho a menor intenção de discuti-los.  Agora, se você quer saber se sua vida sexual acabou com a assinatura do papel da separação, a resposta é: só se você quiser.
“É mais ou menos como andar de bicicleta”, dizem. Particularmente, acho a comparação meio boba. Se você cair na primeira tentativa, nenhuma bicicleta vai ficar olhando para você com cara de desapontamento.
Também nunca ouvi falar de bicicletas que se juntam para tomar uma cerveja e discutir a performance dos outros.
Existem mulheres que têm uma necessidade profunda de provar para si mesmas que conseguem atrair outros homens. Outras querem apenas redescobrir a sexualidade. Algumas procuram no sexo o amor, outras procuram companhia, outras, ainda, procuram no sexo apenas o sexo. Todas aparentemente procuram alguma coisa, e, num primeiro momento, nenhuma encontrará. Todas passam invariavelmente por um ou mais “como é que eu pude?”, exatamente como acontece com as solteiras. A única desvantagem do estado civil diferente é a ridícula sensação que se tem de que os outros esperam que você seja melhor, mais experiente, mais segura, mais sexy, quase como uma heroína de quadrinhos pornô.
A verdade é que você provavelmente está mais assustada que uma virgem, mas ninguém jamais ouvirá essas palavras da sua boca.
Muitas mulheres ficam tão ansiosas que acabam transformando em um bicho-de-sete-cabeças aquilo que deveria
ser o resultado da evolução natural das coisas e acabam metendo os pés pelas mãos.Para poupar alguns embaraços, cabem algumas sugestões.
Dicas básicas:
Não tente ser o que não é. Em um espetáculo de vanguarda, a platéia convencional tende a se sentir incomodada.
Tentar coisas novas logo na estréia pode assustar o público (ou distender algum músculo importante). E, geralmente, shows performáticos são assistidos uma única vez … Na dúvida, fique com o que sabe.
Seja o que  for que ele disser ou fizer, NÃO chore. Assumir sua sensibilidade, deixar fluir o sentimento, ser honesta com seu coração é ótimo na rodinha de ioga ou na sala do psicólogo. Mas se o seu parceiro sexual não for, por acaso, o próprio psicólogo, esqueça. Um “como é que eu pude?” já é bastante ruim sem que se acrescente o vexame de ter se debulhado em lágrimas.
Aliás, não só não chore como NÃO RIA. Lembre-se, o outro lado também tem suas neuroses. Ele não tem bola de cristal para saber que você está pensando “se minhas amigas me vissem agora”, ou “se meu ex me visse agora”. Homens são homens. Muito poucos ultrapassam os limites do próprio universo, portanto, em geral, ele vai achar que você está rindo dele. Caso seja inevitável e você não consiga segurar o riso, a única forma de contornar a raiva inicial do parceiro é lançar um básico “estourindo de felicidade, porque não sabia que podia ser assim”. Sempre funciona. E, se você tiver sorte, um dia pode até vir a ser verdade.

* Photo credit: Shai Bl via Visual Hunt / CC BY-SA

**Conteúdo retirado do Livro “Aperte o cinto, seu marido sumiu”, com modificações, com a devida autorização e revisão da autora.

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Carla é escritora. Para ela, a vida começa e recomeça quantas vezes forem necessárias, a sua personalidade e o seu senso de humor que ditarão o quão divertida a jornada será.