Ciclos

Mudanças são sempre bem-vindas. Olhar para trás e ver que consegui acertar onde errei cegamente, ano após ano, é uma dádiva.

ciclos

Não se passa de fase repetindo os mesmos atos. Às vezes nos enganamos, mudamos de ares e de pessoas, porém, analisando friamente, os fatos são praticamente os mesmos. O plano de fundo se mantém. E o ciclo não se finda.

Venho encerrando alguns ciclos da minha vida. Me afastei de pessoas e situações tóxicas, impus limites e saio recentemente de uma imersão profunda em mim mesma. Não, não foi de uma hora para outra. Se iniciou com a maternidade, então podemos contar aí quase 4 anos nesse mergulho. E dói, viu.

A princípio eu nem sabia ao certo o que estava fazendo, só tinha consciência de que era necessário. Havia me perdido novamente de mim mesma. Me desconectado de tudo o que tinha como sagrado. Eu era um corpo físico quase oco, se não fosse o amor pelo meu recém chegado filho me preenchendo.

Em julho, no meu aniversário, fiz questão de estar ao lado das pessoas que mais amo. Uma celebração muito especial de encontros e de despedida da minha querida avó, que partiu no final daquele mesmo dia. Eu sabia que ela estava partindo. Eu estava fechando ciclos e iniciando outros. Ela também. Foi um dos acontecimentos mais representativos da minha vida. Sem tristezas, apenas lembranças boas e aprendizados.

Mudanças são sempre bem-vindas. Olhar para trás e ver que consegui acertar onde errei cegamente, ano após ano, é uma dádiva. Percebi que havia ganhado uma estrelinha quando aceitei receber amor sem sentir culpa. Quando pessoas especiais se mantiveram ao meu lado. Quando começaram a surgir novos desafios. Quando parei de me boicotar. Quando decidi me abrir para um novo relacionamento, com alguém que chegou para somar – sim, pela primeira vez na vida, uma pessoa que quer voar junto comigo.

O mundo é redondo, o aprendizado é cíclico, e os ponteiros do relógio giram sem volta.

Seguimos, mesmo sem entender direito o que é essa vida.

Camila Morita é formada em Arquitetura e Cenografia e dedica-se à ilustração e pintura desde 2007. Sua obra passa por várias fases e representa cada circunstância marcante em sua vida, resultando em séries intimistas e com um plano de fundo onírico. Para complementar estes grafismos, utiliza de textos para concluir e reorganizar os próprios pensamentos e devaneios.