COMEÇANDO A COMEÇAR... OU A RECOMEÇAR?

Pensem que na escola há sempre um recomeço acontecendo sob o olhar dos professores, pais e diretores: no passar e repetir dos anos, no crescer e cair de dentes, nos primeiros - e segundos, e terceiros amores.

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Photo by Kelly Sikkema on Unsplash

Era uma vez, no mundo real, numa escola real, com professores e crianças reais.

Leitor, você que me acompanha por aqui no Exnap, sabe que atuo na área de aprendizado humano.

Na FabricAções (www.fabricacoes.com.br)  fundada com amigos, sou a responsável por essa área dos projetos, muitos deles em escolas, públicas, por esse Brasil.

Pois então, sempre que  nossa equipe começa um novo trabalho, ainda na fase de mapeamento, nosso olhar e escuta estão voltados para aquilo que o outro, nosso interlocutor, acredita ser importante comunicar, com palavras, gestos, silêncios e tudo o mais que viabiliza – ou não, a expressão humana.

Hoje começo por aqui um relato, a ser escrito em etapas. Tudo aconteceu numa escola pública, no interior do Brasil.

Mas porquê a ideia de dividir com você o que aconteceu nesse colégio? Afinal, os personagens reais desta quase crônica são apenas professores e alunos! Qual a ligação deles com o recomeço que esse nosso portal nos apresenta? Te convido a enxergar o ser humano por detrás do título: diretora? pai de aluno? tia da merenda? Vamos acompanhar de perto os homens maridos, as mulheres viúvas, os filhos de casamentos diferentes, de uniões estáveis, e outras nem tanto. De separados quase voltando e de divorciados até que a morte chegue.

Pensem que na escola há sempre um recomeço acontecendo sob o olhar dos professores, pais e diretores: no passar e repetir dos anos, no crescer e cair de dentes, nos primeiros – e segundos, e terceiros amores. Na vida que ali se faz, que quando pronta, se vai, para outra depois chegar.

O pulo do gato nesse projeto, desenvolvido nessa escola, foi a forma como homens e mulheres sobrecarregados pelo dia a dia do trabalho escolar, encontraram tempo e juntaram forças e ideias para auxiliar na mudança de rumo, necessária para o bem estar de alguns de seus alunos, filhos de casamentos esfarelados.

Podemos dizer que trago para vocês uma das mais preciosas formas de amor ao próximo quando não há forças para recomeçarmos sozinhos – a união de todos em torno do bem estar de uma criança.

Vamos voltar no passado comigo? Tudo começa no ano de 2011, quando a nossa FabricAções, nossa fábrica de ações , ainda estava sendo gerada em nossas mentes, instigadas por nossas aflições.

Temos encontro marcado semana que vem, aqui nesse mesmo pedaço, no início da estrada, do recomeço de uma família desfeita.

Vanessa é mãe em tempo integral, além de psicopedagoga e pesquisadora do psicodrama, da psicomotricidade e da aprendizagem humana. Divorciada, trabalha em uma escola internacional em São Paulo como educadora e, pelas inquietações da vida, fundou com amigos uma associação socioeducacional chamada FabricAções. Em seus textos publicados aqui, procura partilhar alguns dos tijolos necessários para as pontes que precisamos construir entre adultos e crianças no que diz respeito à aprendizagem para a vida. vanessameirelles@fabricacoes.com.br