Como explicar aos filhos que o divórcio é a melhor opção.

...era o fim do casamento, só faltava anunciar aos filhos.

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Do alto do salto alto as lágrimas pareciam demorar para cair lá de cima daqueles olhos tristes e inchados de tanto chorar para regar e desabrochar a decisão – era o fim do casamento, só faltava anunciar aos filhos. Os filhos… Como dizer a eles que apesar de parecer muito egoísta, era a melhor decisão para todos? A separação de fato já existia, todos só moravam sob o mesmo teto e tinham suas roupas lavadas na mesma máquina. Nem mais faziam as refeições no mesmo lugar… Como encarar os filhos, de idades tão diferentes? A mais velha já percebia a movimentação das malas na mão do pai. O do meio ainda fingia não entender as ausências e os silêncios mas o caçula… Ah, o caçula talvez fosse o mais pronto para o recomeço pois não tinha a maturidade para elaborar todos os sentimentos e nem sabia verbalizar o que sentia e , abraçado ao seu ursinho, confortava a si e ao bichinho da forma que conhecia – com carinho.

No fundo muito do que precisamos durante todo o processo de um divórcio é carinho: pela nossa própria história, pela nossa dor, por tudo o que precisaremos enfrentar e … Acima de tudo pelo futuro que almejamos ter. Apagar a útima luz de uma relação já acabada exige coragem, exige tomada de decisão e vontade de recomeçar dos cacos. E quando há filhos envolvidos exige muita vontade de ensinar e aprender com eles também. E aí, tudo vai depender da idade dos seus grandes pequenos, da capacidade deles em abstrair e entender o que se passa e tudo o que você puder – e quiser – conversar com eles. Tudo vai começar e terminar com o diálogo, com o que se diz e também com o que se cala. Não se esqueça que aprendemos mais com o que vemos do que com o que fazemos.
É possível que em muitos momentos você seja acusada (o) de ter pensado só em você , de ser a única (o) culpada (o) do papai – ou da mamãe – terem ido embora. Quando o filho já é maduro o suficiente para pensar desta forma, também estará maduro para conversar – quando a raiva passar – sobre os motivos por detrás de todas as decisões. E tempo, lembre-se que todo processo leva tempo, o entendimento não se dará do dia para a noite e exigirá de vocês todos vontade e energia para elaborar sentimentos durante as conversas. Tenha em mente que o ser humano não aprende comportamentos por imitar ao outro, mas sim por elaborar e construir por sí só aquilo que viu o outro fazer.

 

Não há mistério quando se fala em curar dores, é preciso transparência, clareza de qual mensagem queremos passar . E a primeira já foi a decisão de terminar a relação, os próximos passos agora são em direção ao futuro . E quando o diálogo desanda é preciso procurar ajuda especializada dos psicólogos, grandes parceiros para esta travessia.

Abraço e bons passos

 

Vanessa é mãe em tempo integral, além de psicopedagoga e pesquisadora do psicodrama, da psicomotricidade e da aprendizagem humana. Divorciada, trabalha em uma escola internacional em São Paulo como educadora e, pelas inquietações da vida, fundou com amigos uma associação socioeducacional chamada FabricAções. Em seus textos publicados aqui, procura partilhar alguns dos tijolos necessários para as pontes que precisamos construir entre adultos e crianças no que diz respeito à aprendizagem para a vida. vanessameirelles@fabricacoes.com.br