Crie orquídeas... não crie expectativas...

Limpei minha caixinha de expectativas. Decidi criar orquídeas! "Expectativas nunca mais!!!". E cada vez que vinha aquela vontade de dormir de conchinha e dividir edredom, um alarme soava alto e me mandava pra longe!

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Quando tudo acabou, quando nossa história juntos chegou ao fim eu decidi. Nunca mais. Nunca mais amor. Nunca mais casamento. Nunca mais aquela dor de vazio no peito. Aquela sensação de chão que se abre e aquela queda lenta e dolorosa até o fim do buraco.
Por que se existe uma certeza é que todo amor acaba em lágrimas. Ainda que dure pra sempre. Ainda que seja perfeito (o que é impossível dentro da imperfeição absoluta de qualquer sentimento). Mas ainda assim….
Eu disse nunca mais! Com a cabeça cheia de certezas. Com o coração fechado pra balanço, com o grito de quem sabe que precisa se defender a qualquer custo! Nunca mais amor. Nunca mais entrega! Nunca mais sonhos de um futuro de propaganda de margarina.
Disse! Repeti! Enfatizei! Ainda que trôpega de tequila, ainda que embriagada de paixonites. Ainda que sob embalo de música eletrônica.
Ou no meio de um festival de rock. Sozinha ou não. NUNCA MAIS!
Limpei minha caixinha de expectativas. Decidi criar orquídeas! “Expectativas nunca mais!!!”. E cada vez que vinha aquela vontade de dormir de conchinha e dividir edredom, um alarme soava alto e me mandava pra longe! Desligava o celular, parava de responder mensagens, saía a francesa… Pq não sabia explicar muito bem por que estava indo embora de uma história que nem começou. E assim foram várias as vezes que o “era uma vez” foi interrompido por um ponto final repentino e nada de “felizes para sempre“. Eu agora era protagonista absoluta da minha vida. Nada mais de dividir minha história com um príncipe qualquer ou um sapo encantador.
Mas um dia, acho que meu peito foi abrindo de mansinho. Eu nem percebi e fui perdendo o medo do escuro. E ele chegou. Trôpego. Na batida da música, para que eu não pudesse ouvir seus passos. No tom certo de quem também não espera muito. E no nosso vazio de expectativas, no nosso próprio tempo, nos encontramos embaixo do
edredom. E meu nunca mais se dissolveu em uma deliciosa e quentinha conchinha…
Futuro? Não sei. Não me preocupo. Estou ocupada brindando a vida! E os recomeços! E que venham as lágrimas… E as risadas!

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Clara é escritora, divorciada, mãe, apaixonada, feliz. O seu maior prazer é deixar as palavras brincarem na sua cabeça e assumirem o controle. Recomeça todos os dias, se equilibrando em mágoas e amores.