Depressão. A culpa não é sua.

Costumo dizer que quem sofre de depressão sofre triplamente. Pela depressão em sí, pela cobrança alheia, e pela culpa de se sentir assim.

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Photo by Xavier Sotomayor on Unsplash

A rejeição dói.

A perda dói.

A traição dói.

Estudos de imagem comprovam que as dores emocionais atuam na mesma região do cérebro que as dores físicas.

Como diz a música “Um joelho ralado dói bem menos que um coração partido”.  Sim, é verdade: para as feridas físicas, curativos, remédios, gelo, cicatrizantes.

E para as feridas da alma?

O papo hoje é sobre depressão.

Queremos ser fortes, guerreiras, empoderadas. Servir de exemplo para nossos filhos, orgulho para nossos pais e admiradas por nossas amigas.

Precisamos trabalhar, produzir, cuidar da casa, dos filhos. Mas até mesmo as atividades banais do dia a dia podem se tornar um peso para quem sofre de depressão.

Costumo dizer que quem sofre de depressão sofre triplamente. Pela depressão em sí, pela cobrança alheia, e pela culpa de se sentir assim. A cobrança mais dura: a própria. O que resulta em uma luta interna em que algumas vezes acabamos por sucumbir.

Se você está deprimida em primeiro lugar é fundamental compreender que não é sua culpa!

Não é porque você é fraca, preguiçosa e não tem força de vontade.

Algumas pessoas já tem uma propensão pela própria personalidade e outras podem se sentir deprimidas por situações traumáticas ou desgastantes.

Hoje temos um agravante que são as redes sociais. Por um lado nos sentimos conectadas, atualizadas, é um distrator, mas por outro nos deparamos com um mundo de ilusões, de faz de conta. Falsos sorrisos, fotoshop, “familia Doriana”, que quando estamos frageis só contribuem para nos sentirmos um fracasso.

Então, resista a tentação!

A depressão pode vir de vários jeitos, pode apresentar sintomas que variam de pessoa para pessoa

• Sentimento de inutilidade

• Vazio interior, falta de propósito

• Desmotivação até para as coisas simples do dia a dia

• Descuido com a aparência e cuidados pessoais

• Descuido com a casa

• Angústia

• Culpa

• Oscilação de humor

• Solidão

• Excesso de apetite ou inapetência

• Falta de concentração

• Pensamentos de morte ou suicidio

• Disturbios do sono

Mas atenção: não significa que para uma pessoa ser diagnosticada com depressão necessariamente tenha todos estes sintomas relacionados.

Obviamente uma pessoa que não tem depressão pode ser desleixada com a aparência, a casa, sentir solidão, dormir mal.

O que distingue é o sofrimento emocional que vem acompanhado dos sintomas e perdura ao longo dos dias, por mais de duas semanas.

Pessoas aparentemente alegres também podem sofrer de depressão, mas encontram um meio de mascarar e seguir em frente. Não significa que o sofrimento é menor. Por não procurarem ajuda e por não se abrirem com outras pessoas, acaba sendo uma forma muito perigosa de encarar a doença.

A ignorância e o preconceito em torno da doença devem ser combatidos antes de qualquer coisa por quem está passando por isso.

Loucura não é procurar tratamento mas sim deixar que a doença tome conta de você.

Diferente do que antigamente, hoje em dia contamos com vários recursos resultado de estudos e pesquisas científicas ao redor do mundo.

A tecnologia e descobertas estão ao nosso favor!

Um psicólogo pode te ajudar a expressar seus sentimentos, ressignificar suas crenças, elaborar as questões mal resolvidas e por outro lado, um psiquiatra ajuda a reestabelecer a quimica do seu cérebro que fica desequilibrada quando sofremos com doenças emocionais. O tratamento multidisciplinar é sempre a melhor opção.

Em tempo: procure sempre ajuda profissional.

Gisele Ventura Essoudry

CRP 06118106

Gisele Ventura Essoudry é apaixonada pelo comportamento humano e entusiasta do poder da transformação. Psicóloga clinica especialista em Saúde Mental pela UNIFESP e pós graduada em Psicoterapia Breve Operacionalizada. É coach formada pela Academia do Psicólogo e e orientadora profissional com formação na Editora Vetor e Fundação Colméia, oferece trabalho voltado para jovens e adultos. Possui graduação anterior em marketing e trabalhou por quinze anos no mundo corporativo quando fez transição para psicologia. Atende em consultório próximo ao metrô Ana Rosa em São Paulo e on line.