DESABAFO DO LEITOR 10

Prometa que essa dor no meu peito vai passar.

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Durma bem

Prometa que essa dor no meu peito vai passar. E que você volta p’ra me dar alguma satisfação, porque não me satisfez.
Fale comigo, me acalme. Me atenda do jeito que você sabe que a sua menina não te contraria.
Oculte tudo o que acha que pode de mim. Depois durma sem remorsos, sabendo que passei a madrugada acordada, que meu coração arde e meu estômago se revira. Quando eu lhe perguntar se há motivos pra me sentir fraca assim, minta. Me chame de volta quando eu tentar ir embora, use palavras doces para que eu possa, mais uma vez, satisfazer seu ego maldito. E tenha um bom dia.
Prometa que meu amor não foi arrimo para dias obscuros. Se demore, fique e sirva-se do que ainda resta de mim. Espero que seja suficiente para preencher seu vazio.
Estrague tudo. A dor do “adeus” é pouca ainda, abuse das palavras erradas, das promessas vazias e, claro, abuse das mentiras. Arruine lembranças antes de partir. Eu, eu? Ah, não farei nada além de lamentar meu destino besta, enquanto te vejo tecendo uma rede de mentiras para que eu possa dormir meu sono agoniado. Prometa que nunca foi um erro, que sempre foi sincero. Nem precisa ser verdade, né? De qualquer maneira, eu deixarei de lado qualquer voz da minha cabeça para acreditar na sua. Não deixe de usar meu corpo, ele é tão seu quanto minha essência, então não importa se está me deixando, não importa se tem outra. Apenas use. E continue mentindo.
Eu vou passar mal durante a madrugada e acordar com o coração disparado, me dizendo que tem algo errado. Mas quanto a você, amor, durma tranquilo, sabendo que não houve e que provavelmente nunca haverá decepção maior na minha vida. ‘Cê sabe que eu não atormentarei teu sono, como fez comigo. Talvez até te canse falando nos mesmos assuntos, mas é pela esperança de recuperar algum momento bom do passado e te dar alguma chance de ser honesto. Não precisa nem se preocupar com nada disso, deixa de lado porque mesmo quando eu vir sua verdadeira face, não representarei perigo algum. Fica tranquilo.
E quando meu atrevimento não for suficiente, permita-me te dar o deleite de me ver ultrapassando limites e aceitando suas provocações. Permita que meus pedidos por misericórdia se confundam com súplicas de amor. Continue me destruindo aos pouquinhos, até que esteja suficientemente confortável para me deixar de vez, anunciar sua escolha e revelar tuas mentiras de forma covarde, me fazendo sentir a mulher mais insignificante do mundo. Mas eu aguento, sempre aguento. E não farei nada para te prejudicar. Vai em paz, enquanto eu reconstruo meus pedaços, convivo com o desgosto e me reencontro.
De tudo o que vivemos, de tudo o que dissemos, não sei o que sobra pr’a eu guardar. Só me resta rir da ironia da vida, e odiar essa tua expressão única e dissimulada.
E você não vai perder mesmo o sono, amor, nem precisa. Jamais usarei de golpes tão sujos quanto os seus. Você brinca comigo, mas não sou fraca, eu não sou desleal desse jeito não. Sou muito melhor que isso. Então pode ir embora sem nem olhar para trás porque não irei te atacar pelas costas.
E durma bem, pois ainda que você não mereça, eu te protejo de mim.

 

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