Diário de uma neo solteira - sexo, abraços e uma saudade tranquila

Foi uma tarde que durou dias. Por que, de verdade, nosso relacionamento nunca saiu daquele instante.

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Você me olhou com um enorme sorriso no rosto. Parei um segundo na porta ainda pensando se eu iria entrar. O carinha da semana passada, o gostosinho da troca de beijos bêbados era nada além de um completo estranho. Não te reconheci de imediato. Você me abraçou. Não sei se percebeu meu olhar confuso ou meu sorriso sem graça.

Seu abraço era familiar. Sim. Aquele eu conhecia. Uma sensação mista de alívio e excitação tomou conta de mim e fez minhas pernas tremerem. Eu queria estar ali. Eu quis estar ali tanto quanto meu coração a prova de expectativas frustradas me permitiu.

Tudo era delicioso. O abraço. Por vezes, nos dias que se seguiram aquele encontro, desejei que o tempo tivesse parado dentro daquele abraço.
Foi uma tarde que durou dias. Por que, de verdade, nosso relacionamento nunca saiu daquele instante. Todos os nossos encontros depois daquele não passaram de tentativas de voltar no tempo.
Seus braços se tornaram o meu DeLorean.

O caminho da porta até seu quarto era curto. Falamos amenidades e você me ofereceu água, lembra?! Olhei em volta, escaneando o ambiente para tentar conhecer um pouco daquele cara que me guiava até sua cama.
Não era preciso.
Nossos corpos, por mais clichê que isso possa parecer, tinham uma familiaridade estranha. Foi gostoso. Foi incrível.
Extasiados de um prazer quase indescritível, rimos e trocamos intimidades que só desconhecidos são capazes de trocar depois do sexo.
Nunca deixamos de ser desconhecidos. Mesmo depois de mais alguns encontros e outras milhares de mensagens trocadas.
Nos perdemos um do outro da mesma forma como nos encontramos.
Guardo seu abraço com uma saudade tranquila.
Às vezes ainda viajo no tempo de volta àquela tarde. Meus sonhos são teimosos.

Clara é escritora, divorciada, mãe, apaixonada, feliz. O seu maior prazer é deixar as palavras brincarem na sua cabeça e assumirem o controle. Recomeça todos os dias, se equilibrando em mágoas e amores.