é difícil, mas vale a pena!

Desde pequenos somos treinados para o casamento. Sonhamos. Ouvimos conselhos. Assistimos toneladas de comédias românticas.

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Desde pequenos somos treinados para o casamento. Sonhamos. Ouvimos conselhos.
Assistimos toneladas de comédias românticas. A cada relacionamento pensamos em como seria viver juntos para o resto da vida.
Aprendemos a amar.. Aprendemos a importância de dividir. A ter paciência. Que deixar a toalha em cima da cama não é tão grave.
Aprendemos a entregar nossa vida para alguém. A cuidar.

É difícil, dizem. Mas vale a pena.
Vale!

Mas, às vezes, o casamento não dá certo. Ou melhor, dá! Só que não “para sempre” como nos foi prometido. E aí vem o fim. Às vezes demoramos dias, meses, anos, (décadas!!!!) pra entender. Ou pra aceitar.
Porque todo mundo que te “ensinou” a casar, e te contou tudo que você precisava saber sobre o fantástico mundo da “vida de casados” esqueceu de contar que às vezes… (na maioria delas eu diria, mas não quero parecer chata) …acaba. Simplesmente. Puff!
Ninguém casa pensando em separar. Nem deveria. A expectativa do “felizes para sempre” faz toda a loucura que é um casamento parecer simples. A gente casa pra vida toda. Sem o “pra sempre” nada faz sentido.
Talvez o mais difícil seja esquecer a tal promessa de que só a morte pode nos separar.
Existem outras mortes. Muitas outras.
E um dia… Às vezes…. Ainda que você não queira… Ainda que tente muito, muito mesmo… Acaba…
Acaba o amor. Acaba a vontade de dividir tudo. Acaba o tesão. Acaba o assunto pra conversar a noite, abraçadinho antes de dormir. Acaba a vontade de encher de beijo e a saudade. Acaba a paciência (essa é uma das primeiras!)
Às vezes acaba o respeito. Às vezes acaba tudo menos o amor.
E dói. Dói muito. Ninguém te contou?
Não.
Ninguém te deu nem uma aula sobre o que fazer depois que acaba.
De repente você está junto. De repente não está mais.
De repente seu parceiro virou seu pior inimigo. De repente ele te odeia.
De repente acabou o Natal em família. 24 na minha e 25 na dele.
De repente suas contas voltam a ser todas suas. Seus amigos se dividem na dúvida de pra que lado ir.
De repente você precisa se preocupar com o supermercado e o seguro do carro. O almoço de domingo e o encanador.
De repente você se vê no meio da rua, perdida, porque mudaram todos os seus caminhos.
Tudo que era dos dois agora está dividido.
De repente a cama ficou enorme e os fins de semana ficaram gigantescos.
A solidão parece não ter fim. Sua auto estima fica em frangalhos. O gosto amargo da derrota demora a sair. Até por que é alimentado pelo olhar de todos ao seu redor. “Você não conseguiu fazer dar certo. A culpa é sua!!!!”

A escada que te tira do fundo do poço parece ter um milhão de pequenos degraus.Impossível ver o final. E você já está tão cansada…
Mas você sobe. Não existe outro caminho. Não dá pra chorar o resto da vida.

A gente se casa pra ser feliz. E se separa pelo mesmo motivo.
E aos poucos começa a descobrir um fôlego que achou que tivesse perdido pra sempre.
Acha forças sabe-se lá onde. E um dia percebe que está gostando.

Achou novos caminhos, descobriu novos prazeres. Conheceu novos amores, ainda que prefira que eles durem uma noite só. Às vezes por medo de se machucar, às vezes por que esse é todo amor que você tem disponível pra dar, às vezes por que você experimentou a liberdade de não ser de ninguém e ainda não está pronta pra perdê-la.

É difícil, não dizem. Mas vale a pena.
Vale!

 

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*Photo via Visualhunt

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Clara é escritora, divorciada, mãe, apaixonada, feliz. O seu maior prazer é deixar as palavras brincarem na sua cabeça e assumirem o controle. Recomeça todos os dias, se equilibrando em mágoas e amores.