Ele partiu

Chore o quanto precisar, ligue para as amigas, curta a fossa da dor da solidão. Aceite a raiva e a frustração, acolha seus sentimentos. Sinta tudo o que achar que tem direito, intensamente.

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Vira e mexe, recebo a seguinte pergunta: “ele não me quer mais, o que é que eu faço?”. E olha, já que a pergunta é pra mim, que sou dessas que acredita que a vida tem que seguir, – e ela segue sem dó nem piedade, e lá na frente você vai saber os motivos do seu presente momento – mantenho a mesma resposta: suma.

Quem escolhe partir já estava com essa idéia em mente. Ao seu lado. Sim, talvez enquanto você dormia, no calor de seus braços. Ou quando jantavam uma massa, rindo de algo que aconteceu naquele dia. Dirigindo rumo às montanhas, onde vocês subiram até o alto de uma pedra e contemplaram o pôr do sol. Não saberemos. Nem sempre a pessoa se vai após sucessivas discussões ou quando o relacionamento esfria. Mas, sem considerar aqui as razões e os por quês, ele se foi. Fim. Acabou.

Veja bem, não estou lhe dizendo para saltitar e sorrir. É momento de resguardo. Não rasteje, não suplique. Suma para cuidar de si. Existe uma ferida aberta, mas agora é hora de repensar a própria vida, de jogar fora os planos conjuntos e fazer planos seus. De se redescobrir, de despertar novos interesses, de fazer aquele curso que havia ficado para uma outra hora. De terminar o livro que empoeirou sobre a estante. De criar hobbies – digo por conta própria que criei alguns como jardinagem (horta, orquídeas e vasos), crochê e culinária. E passar por um luto digno daqueles de se tirar as melhores lições, afim de ter mais um retalho de história para costurar ao seu manto.

Chore o quanto precisar, ligue para as amigas, curta a fossa da dor da solidão. Aceite a raiva e a frustração, acolha seus sentimentos. Sinta tudo o que achar que tem direito, intensamente. Bata os pés no fundo do poço. Com força. Observe com calma… e deixe que tudo isso se vá.  É momento de frieza, mas é uma frieza amorosa. Acredite: isto vai passar.

Se você deixar.

Camila Morita é formada em Arquitetura e Cenografia e dedica-se à ilustração e pintura desde 2007. Sua obra passa por várias fases e representa cada circunstância marcante em sua vida, resultando em séries intimistas e com um plano de fundo onírico. Para complementar estes grafismos, utiliza de textos para concluir e reorganizar os próprios pensamentos e devaneios.