Enfim só... parte 1 (pega a caixa de lencinho... vamos falar de dinheiro!)

Passada a comoção inicial, com os detalhes da separação já acertados e as lágrimas enxugadas, um belo dia - que pode ser bem mais cedo do que pensa- você se vê às voltas com seu próprio futuro.

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Passada a comoção inicial, com os detalhes da separação já acertados e as lágrimas enxugadas, um belo dia – que pode ser bem mais cedo do que pensa- você se vê às voltas com seu próprio futuro. Ao contrário do que todos os anos de casada, noiva, namorada, etc, e os planos que haviam feito incutiram no seu subconsciente, sua vida não está mais definida como parte de um casal. (já sei, vão me chamar de antiga, com visão ultrapassada e coisas assim, antes de me defender, reafirmo que este é um “guia prático” e não “ideológico”, aliás nem isso, a intenção e tentar fazer rir e/ou pensar, só isso). Mas enfim, para os adeptos das filosofias tipo “somos indivíduos primeiro e casal depois, peço para deixar o dito pelo não dito, mas para os que somente “pensam!” que são adeptos, repito: a verdade é que poucas frases de efeito são lembradas quando “o” indivíduo corta as unhas no seu carpete recém-aspirado ou quando ‘A’ indivíduo resolve comer o último pedaço de bolo na cama. E quando um fuma e o outro não? Que exerçam sua individualidade tabagista bem longe dos meus lençóis! Mil teorias podem surgir, mil formas de relacionamento podem entrar na moda, mas a verdade é uma só, pelo menos para a maioria: casal é casal. Ser casal implica em um monte de pequenas coisas, como escolherem juntos a cor da parede. em fazer concessões. Implica, em resumo, compartilhar decisões e consequências. Pode preparar a caixa decorada de lencinho, aquela americana que combina com o porta sabonete do lavabo que ninguém mais usa, Porque os únicos que vão te visitar por enquanto se julgam íntimos o suficiente para usar seu banheiro. O fato é que não importa quantos anos passaram, se 1, 25 ou 50, você agora você está por sua conta novamente.

Mas calma, nem tudo é tristeza!!! Se quiser plantar feijão no sapato que ele esqueceu no fundo do armário ou colocar uma palmeira no meio da sala, ninguém terá nada com isso!! Tá certo, você não terá mais com quem dividir a culpa ou 50% das burradas que cometer. Enfim… Não há mais um “nós” na equação.

Vai lá, pega a caixa do lencinho…Eu espero… Pela frente, nada da promessa de enredo de filme açucarado, o “felizes para sempre” não saiu do jeito que te prometeram e é triste sim. Muito triste. Seu futuro de conto de fadas agora é uma grande incógnita. Assusta, é verdade, mas acredite, com o tempo também excita. E aí, por mais absurdo que pode parecer agora, com você abraçando a caixa de lencinho, problema estará justamente em conter essa excitação toda.

Mas antes de chegarmos a este ponto, vamos às coisas mais práticas… Sem querer parecer materialista e jogar um balde de realidade na sua pequena e já conturbada lagoa emocional, vale lembrar um pequeno detalhe: embora seja difícil de assimilar, o fato é que não só não há mais sonhos compartilhados, como, dependendo do acordo firmado, muito menos salários.

É automático, você está tão ocupada pensando no lado sentimental ou social que a parte prática parece “pequena” demais para você. Que importa o condomínio quando sua vida está desmoronando? Oh! É mesmo? Tenho certeza de que seu síndico vai compreender. Afinal, você é a única pessoa separada da humanidade, ou, pelo menos, a única que está “tendo que passar pelo que você está passando”. Sei … Que ninguém nos ouça, mas somos todas iguais nesse aspecto. Quero ver você falar para a companhia telefônica que não vai pagar a conta de novo porque está abalada com a separação.

Concentrar-se apenas no emocional pode causar um rombo bem mais sério no seu orçamento. Frio demais? Ok. Explico. O que quero dizer é que, embora nesse momento isso pareça a coisa mais absurda e inacreditável do mundo, a verdade é que a recuperação emocional eventualmente acontece. Difícil mesmo é recuperar o apartamento ou o carro perdido porque você decidiu que precisava “ficar um tempo fora” e gastou tudo em um spa para tentar pôr sua “alma” em dia, ou porque torrou seu salário em livros de auto-ajuda ou simplesmente porque perdeu o emprego por cair na choradeiratoda vez que atendia o telefonema de um cliente do sexo masculino. Não é uma questão de materialismo não, é uma questão de necessidade. De praticidade. Economia talvez seja a alma do negócio aqui. Economia de dinheiro, economia de palavras, economia de sentimentos. Se o seu salário permitir um giro pelo mundo e todas as extravagâncias possíveis, vá em frente. Aliás, faça o que bem entender, ninguém merece mais do que você. Mas, se por acaso, e na maioria dos casos é assim, o salário dele for a maior parte da renda da família (não me culpem pela desigualdade salarial), convém lembrar que o conceito “família” foi recentemente modificado no que se refere a você. Portanto, cuidado! Depois de equilibrado o talão de cheques, é hora de começar a cuidar de você. De você, não da casa, não do marido, não de vocês. De você!!!

*Imagem Pixabay

**Conteúdo retirado do Livro “Aperte o cinto, seu marido sumiu”, com a devida autorização e revisão da autora.

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Carla é escritora. Para ela, a vida começa e recomeça quantas vezes forem necessárias, a sua personalidade e o seu senso de humor que ditarão o quão divertida a jornada será.