Enfim só... Parte 2 (a fase do "quem precisa de homem")

É a chamada fase do "quem precisa de homem?”

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De repente você está ali, sozinha, sem ser parte de um casal, sem diretrizes predefinidas e sem conseguir descobrir o porquê da dificuldade de ir ao supermercado.
Parece até ridículo falar nisso, diante de tantas coisas mais importantes, tantos traumas e tragédias, mas fazer compras só para você logo após a separação pode ser uma tarefa bem difícil.
Provavelmente desligar o “dois” e ligar o ‘um” seja um dos temas mais abordados na terapia e o supermercado é, digamos assim, a versão prática para iniciantes.
Mas vai que as sessões de terapia são cobertas pelo plano de saúde dele, então, para economizar sua autoestima e o dinheiro das sessões, aqui temos o primeiro conselho (*Atenção: De novo, isso não é um livro de autoajuda, e com toda certeza não foi escrito nem por psicólogos nem por gurus, portanto, sinta-se absolutamente livre para não seguir este ou qualquer outro conselho):
CONSELHO: A gente já sabe que tem muito drama rolando na sua vida, certo? Então tente guardar suas energias para o que for realmente vital. Assim, tente não ficar horas tentando achar o “sentido oculto” do fato de ter comprado um pacote de bolachas de que ele gostava. Sim, nós sabemos… Pode ter sido mesmo um ato falho; pode ser um condicionamento ou pode ser simplesmente porque a bolacha até que é gostosa. O ‘X” da questão é: O QUE IMPORTA?
Esse é o menor dos seus problemas! Se te incomoda tanto assim, dê o raio da bolacha para um menor carente, ora essa!
Dica Pratica: Não fique choramingando para o açougueiro, dizendo que antes você comprava picanha, mas agora não faz mas churrasco porque era o seu ex quem cuidava da carne e bla,bla,bla, principalmente, não leve para o lado pessoal quando ele gritar “Próximo” e te olhar como se você fosse louca. Também não se espante se ele colocar o telefone dele no seu embrulho de carne magra…
Os predadores sentem o cheiro de presas carentes e, digamos que, ao abrir o berreiro no meio do supermercado, você meio que exala carência por todos os poros… Acontece, não com muita frequência graças aos supermercados que vendem pela internet, mas não se martirize se acontecer. Faz de conta que você fez uma viagem “extracorpórea” para Fiji e deixou uma inquilina momentaneamente desequilibrada tomando conta… Aos poucos você acha seu equilíbrio.
Que tal começar analisando as coisas por outra perspectiva?
Sim agora você está sozinha, e sem diretrizes a seguir talvez, mas por outro lado e em compensação, também sem satisfações a dar, sem obrigações culinárias a cumprir e sem a necessidade premente de depilar a virilha…
Ok. Em contrapartida, sem ninguém para abrir o vidro de azeitonas.
Dica prática 2: azeitonas também são vendidas a granel, em lindos e rasgáveis sacos plásticos. Está vendo? Aos poucos tudo se resolve!
Após um ligeiro pânico inicial, as pequenas tarefas cotidianas, que pareciam tão hercúleas, voltam a ser resolvidas rapidamente, e daí advém uma pequena sensação de independência que a cada nova pequena conquista aumenta e, em pouco tempo, cresce desenfreada, até eventualmente transbordar.
É a chamada fase do “quem precisa de homem?” com que muitas mulheres inicialmente se surpreendem e à qual às vezes se apegam. Nessa fase muitas mulheres são vistas às turras com mecânicos e zeladores, assumindo a postura “eu me viro sozinha.
É aquela história de deixar de ser vítima e passar a assumir o papel de algoz. Em outras palavras, deixar de chorar pelos cantos e descontar em qualquer pobre coitado todas as frustrações que o bom senso e seu advogado não permitiram exteriorizar no pescoço do seu ex.
Em geral essa fase começa pouco após a consumação da separação- aparentemente em maior grau se o rompimento tiver sido iniciativa do homem -, como uma espécie de “não preciso dele para nada mesmo”, e tem uma duração variável, tendendo estranhamente a terminar quase que simultaneamente com a queima da resistência do chuveiro.

*Imagem Pixabay

**Conteúdo retirado do Livro “Aperte o cinto, seu marido sumiu”, com a devida autorização e revisão da autora.

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Carla é escritora. Para ela, a vida começa e recomeça quantas vezes forem necessárias, a sua personalidade e o seu senso de humor que ditarão o quão divertida a jornada será.