Entrando naquele tubinho preto dos tempos de solteira...

Vingança contra o estilo de vida anterior é normalmente a primeira sensação a dominar o cérebro da recém-separada. Muitas vezes, no entanto, o tiro sai pela culatra.

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Enfim só… Parte 4

Vingança contra o estilo de vida anterior é normalmente a primeira sensação a dominar o cérebro da recém-separada. Muitas vezes, no entanto, o tiro sai pela culatra.
A partida do ex-marido, em um primeiro momento, torna obsoleto o binômio cozinha/supermercado e, sem a necessidade de fazer o jantar, algumas mulheres cairão na tentação de se divorciar também das panelas.
Muitas adotam a famosa dieta da bolacha água e sal, chocolate e Coca-Cola, chegando a desenvolver uma leve bulimia (compreensível, já que, com uma dieta como essa, não é tão difícil assim vomitar …).
Durante essa fase, várias mulheres poderão ser encontradas deitadas na cama, durante seu tempo livre, trajando o modelito agasalho sem elástico com meia de lã e chinelo de dedo, comendo bombom e pensando, com satisfação, na cara que o “ex” faria se visse quão horrível e “descombinada” é sua roupa de baixo. Isso sem mencionar aquelas enormes calcinhas de algodão confortabilíssimas e quase sem elástico que você jurou que tinha jogado fora e que agora voltaram à ativa.
Infelizmente, a satisfação momentânea gerada por esse comportamento se desfaz na primeira tentativa frustrada de entrar naquele tubinho preto dos tempos de solteira ou naquela saia curta que ele odiava que você usasse.
Pois é. Está na hora de largar a calça de tamanho único e sair correndo atrás dos novos modelos de meias que levantam o bumbum e encolhem a barriga, dos sutiãs tipo “isso-tudo-é-seu mesmo?” e dos cremes anti-qualquer-coisa-para-maiores-de-25-anos que superlotam as gôndolas das farmácias e das lojas de cosméticos. Afinal, todos os artifícios são válidos na luta por aquela aparência jovem e 100% natural!
Durante algum tempo, o fato dos amigos continuarem casados e sua vida social ser  muito similar à de um molusco no deserto pode ser usado a seu favor. Não se espante com o furor que causará quando mudar a cor do cabelo e o estilo de roupa.
Todo mundo espera que você tenha uma crise básica de identidade e, portanto, esse é o momento ideal para experimentar.
Tentar usar as roupas de solteira – não importa de que década – é a primeira tentação.
Se você não for do tipo deprimida/suicida, uma boa maneira de perder os quilinhos extras adquiridos durante as madrugadas tristes em companhia da lata de leite condensado e bombons é tentar vestir o jeans usado na lua-de-mel.
Uma segunda alternativa é sair às compras com aquela colega do escritório descolada ou com sua sobrinha quinze anos mais nova.
Não lute! Acredite! Tudo o que você fizer nesse primeiro momento será mesmo bobagem…
Você pensa que não, acredita que não, mas não adianta.
Seja qual for a linha que você decidir adotar, confie: dez entre dez mulheres recém-separadas fazem coisas estúpidas.
Então, pelo menos, arrisque! Não resista!
E daí se você parece um remake da Tina Turner? E daí se o estilo do seu cabelo lembra Edward Mãos de Tesoura?
Se você recebe pensão, melhor ainda! Quer maior satisfação do que gastar o suado dinheiro dele para pintar seu cabelo de loiro-canário?
E aquele vestido de deixar a Madonna com inveja? O cartão de crédito ainda está no nome dele? A Madonna que se dane, o vestido é seu …
O cartão é só seu? Melhor. Você faz o que bem entender com o que ganha (dentro dos limites do bom senso, da lei e do crédito, é claro).
Banho de loja, de cabeleireiro, de lama ou quem sabe um bom banho comum mesmo e, amiga, toda a ajuda que puder conseguir. É chegada a hora. Vamos à luta!
Aproveite esse período para, de acordo com sua situação financeira, procurar atingir o melhor de sua forma física.
Atenção: se você gosta mesmo do gênero “gordinha alegre”, tem toda a minha simpatia; ao contrário do que as más línguas dizem, nós sabemos que NÃO FOI POR ISSO QUE ELE FOI EMBORA…
Nesse momento, damos ênfase à parte física não porque a mente de modo geral não seja importante -longe disso -, mas porque acreditamos sinceramente que, nessa fase, a sua cabeça é que não vale grande coisa mesmo. Além do mais, para cuidar dela há milhares de bons profissionais e outro tanto de livros de auto-ajuda, sendo que nenhum livro ou sessão de terapia lhe dará o mesmo tipo de recompensa emocional advinda do assobio do pessoal da construção.
O segredo para passar da fase de auto-indulgência para a de arrasa-quarteirão, ao contrário do que se possa imaginar, NÃO é esquecer o “ex” e continuar com sua vida.
Isso seria muito bonito e interessante, mas leva um século em termos de temporada de caça. Além do mais, se você fosse do tipo chá de inhame, jardim japonês e contemplação, não teria nem começado a ler este livro.
Sejamos francas: enquanto você perde seu tempo captando a energia Feng Chui do seu lavabo, alguma mocinha esperta e bem sarada está captando a energia não tão pura do seu ex.
Você quer ficar para trás?
Chega de brigadeiro de microondas! Agora é hora de academia.
Ah, fuja das mais badaladas. Já imaginou se você cruza com seu “ex”, que nessas alturas está na fase “tio Sukita“? Nada disso. Ainda não é hora de exibir.
Se você tem os meios, o melhor é montar uma academia em casa mesmo. Um corredor comprido e música no celular já são o suficiente.

GUIA DE GINÁSTICA APLICADA

Exercício I: Aeróbica de alto impacto. Imagine que o piso do corredor esteja revestido com fotos do seu ex, do advogado dele e de todas as horas que você passou cozinhando, lavando, passando, aguentando a família dele. Com serenidade, ande pelo corredor pisando sobre as fotos imaginárias.
IMPORTANTE: lembre-se de fechar a cortina. Não precisamos de ninguém questionando a sanidade mental da mulher que fica andando pra cá e pra lá batendo vigorosamente com o pé no chão (30 a 50 minutos diários).

Exercício II: Alongamento. Deite-se no chão e coloque entre os pés uma cópia da certidão de partilha, que diz que de agora em diante o condomínio será pago com 50% do seu salário (apesar de ser apenas 3% do salário dele). Com as mãos estendidas acima da cabeça, sem sair da posição, tente alcançar o picador de gelo na estante. Em seguida, junte os pés às mãos.
Faça isso pelo menos 15 vezes ou até que o papel esteja inutilizado.

Exercício III: Aeróbica de baixo impacto. De pé, com as pernas separadas, imagine à sua frente a figura do porteiro que espalhou para todo mundo que você é “largada do marido” e fica usando o circuito interno para “assistir” você no elevador.
Com movimentos sincronizados, chute com a perna esquerda e arremesse o braço direito para a frente com o punho fechado, tentando atingir a figura imaginária. Inverta e repita por 20 minutos.

Exercício IV: Localizada. Localize algo que seu ex tenha se esquecido de levar – CDs, gravatas, raquetes, autógrafos de jogadores etc. Com os braços esticados ao longo do corpo, coloque em uma das mãos o objeto de sua preferência (ou melhor, da preferência dele) e na outra um martelo de aproximadamente meio quilo.
Abra as pernas paralelamente e, sem dobrar os cotovelos, leve os dois braços à frente e junte as mãos vigorosamente. Gire o corpo para o lado e coloque o que restar do objeto no chão. Inspire e escolha um outro item da coleção. Para um melhor resultado, troque o martelo de mão a cada três exercícios. Repita o movimento de acordo com o número de objetos.

Depois de alguns meses as diferenças já se tornam visíveis, tanto nas roupas como nos comentários. Se por azar você for do seleto grupo que mantém contato com a ex-sogra, chegou a hora de usufruir da única vantagem desse relacionamento.
Você saberá que está no caminho certo quando sua ex-sogra começar a dizer que está preocupada com sua aparência.
A boa forma estará prestes a ser atingida no instante em que a referida senhora disser que “você está tão magra que até fica feia”.
A transformação finalmente estará completa quando, por exemplo, a robusta gerente do seu departamento se aproximar de você com aquela ladainha sobre as diferenças entre “a magra
saudável” = ela (que poderia esconder R$ 1 milhão em material de escritório só nas dobras entre a cintura e o quadril) e “a magra doente” = você (que finalmente já pode aposentar as túnicas e o legging).
A partir desse momento, é hora de realmente se preocupar com o futuro. O futuro social …

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*Photo credit: Lucía López via Visual Hunt / CC BY-SA

**Conteúdo retirado do Livro “Aperte o cinto, seu marido sumiu”, com a devida autorização e revisão da autora.

*** Clique no perfil da autora para visualizar outros textos. Boa leitura!!!

Carla é escritora. Para ela, a vida começa e recomeça quantas vezes forem necessárias, a sua personalidade e o seu senso de humor que ditarão o quão divertida a jornada será.