ENGATANDO A MARCHA RÉ : tia, minha família tem duas mães!

E eis que o tema separação vem à tona na forma de uma imagem - o desenho de uma criança, que afirmava ter duas mães é passado de mão em mão - uns riem, outros balançam sua cabeça de um lado para outro, alguns silenciam.

imagem Vanessa
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Terminei o relato da semana passada fazendo a todos um convite para votarmos no passado, lá em 2011. Pois bem, acabamos de sair da màquina do tempo e aterrisamos no meio da nossa sessão de Escuta Ativa, explico: uma das metologias criadas pela FabricAções, muito utilizada na fase de mapeamento de necessidades.

Voltando à aterrisagem em antanhos, o que temos à nossa volta são os professores de uma determinada série, de uma determinada escola no interior sentados, respondendo e fazerndo perguntas, uns aos outros: a dinâmica da escuta ativa já começou! Mãos se levantam e os presentes se alternam ora escutando, ora falando.  E eis que o tema separação vem à tona na forma de uma imagem – o desenho de uma criança, que afirmava ter duas mães é passado de mão em mão – uns riem, outros balançam sua cabeça de um lado para outro, alguns silenciam. E fez-se o conflito,  gerador de desconforto, visto por muitos como um entrave – mas o desafio era transformar o difícil em oportunidade.  Em poucos minutos a sessão terminou e todos foram para suas classes, com seus alunos à sua espera.  O desenho é deliberadamente esquecido sobre a mesa.

Uma análise  superficial  nos faz olhar para aquilo que foi colocado em evidência  – o colorido mais forte em uma das mãe, a que  parecia ser a mais jovem, mais vistosa, com uma saia mais curta, marcada em vermelho. A boca pintada de uma cor fluorescente também chamava a atenção do nosso olhar. Foi nesse momento que a professora que nos deixou o desenho entrou na sala esbaforida e ao nosso lado começou a falar:  então, olhe aqui, essa outra mãe está menos colorida, e os lábios não formam um sorriso, mas uma linha reta, quase igual àquele aparelho que mostra que o coração da gente para no hospital. Quase morta  _____________________

Depois de dividar conosco uns outros detalhes, saiu da sala como entrou, se despedindo com um : – Ahh, preciso do desenho para a reunião com a família. Esse pai tem que ver o que está fazendo com essa filha! É um absurdo! Até semana que vem.

 

Faço dela minhas palavras, até semana que vem com o próximo relato.

Abraço

Vanessa

 

Vanessa é mãe em tempo integral, além de psicopedagoga e pesquisadora do psicodrama, da psicomotricidade e da aprendizagem humana. Divorciada, trabalha em uma escola internacional em São Paulo como educadora e, pelas inquietações da vida, fundou com amigos uma associação socioeducacional chamada FabricAções. Em seus textos publicados aqui, procura partilhar alguns dos tijolos necessários para as pontes que precisamos construir entre adultos e crianças no que diz respeito à aprendizagem para a vida. vanessameirelles@fabricacoes.com.br