Eu me recuso a acreditar que isso aí que você me deu era amor.

Talvez eu não entenda nada de amor. Mas o que eu quero é aquilo que dura pra sempre.

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Você nunca me amou. Eu me recuso a acreditar que isso aí que você me deu era amor. Aceitar isso seria aceitar também que o amor é capaz de coisas terríveis.
E não estou falando só das mentiras e traições. Nem do seu egoísmo latejante.
Estou falando da sua capacidade de me fazer sentir pequena.
Amor, amor mesmo de verdade, agiganta a gente. Faz crescer. Junto, misturado, lado a lado, combinado. Juntos!!! Somando, multiplicando, dividindo. Nunca diminuindo.
Entendeu?
Então não era amor. Se foi um dia não sei, mas acho que não. Acho que nunca foi. Era qualquer coisa até parecida com amor…
Era alguma coisa ou não era nada. Mas não era amor.
Amor não abandona. Ele até acaba. Ele muda. Se transforma. Mas ele não grita por aí que existe e te vira as costas.
Sei lá. Talvez eu não entenda nada de amor. Mas o que eu quero é aquilo que dura pra sempre. Mesmo que vire só saudade ou só lembrança. Mas que está lá.
Aquilo que faz sorrir, faz chorar, faz enlouquecer. Faz nascer um milhão de borboletas esvoaçantes na nossa barriga.
Te deixa tão feliz quanto comer chocolate sem engordar. Que esquenta o pé em noites frias com um beijo na ponta do nariz. Que cuida e dá bronca quando você está sendo teimosa. Quero sorrir sem motivo e voltar pra casa correndo pra dentro de um abraço. Quero gritar frustrada quando tudo for tão grande que mal cabe dentro do peito. E depois entender que tudo bem se transbordar… A gente aguenta. Juntos.
Quero isso aqui que eu achei e talvez nem tenha nome.
Isso que me fez criar asas, me ensinou a voar.

Definitivamente, aquilo não era amor.

 

*Photo via VisualHunt.com

 

Clara é escritora, divorciada, mãe, apaixonada, feliz. O seu maior prazer é deixar as palavras brincarem na sua cabeça e assumirem o controle. Recomeça todos os dias, se equilibrando em mágoas e amores.