Exercício psicológico - No final, você se saiu bem...

No final, você sabe que se saiu bem. Finalmente aprendeu que sua melhor companheira é você!

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Este texto é dedicado às suas próprias experiências.
Pegue um caderno novo. Tem que ser novo.
• Escreva na primeira página todas as coisas desagradáveis de que se lembrar sobre seu ex-marido.
• Escreva na mesma página o nome de todas as pessoas que você tem a sorte de não ter mais na sua vida.
• Escreva na outra folha os nomes que lembrar dos esquizóides com quem você saiu.
• Escreva também os nomes que lembrar dos bonitões que não quiseram sair com você.
• Aproveite e escreva quantos quilos quer perder ou ganhar (descasadas ou não, todas temos um problema com isso … ).

Arranque as páginas e dobre tantas vezes quanto for o número de anos que perdeu com o seu ex, tomando cuidado para proferir uma palavra de baixo calão diferente para cada vez que dobrar a folha, e coloque-a na lata de lixo de outra pessoa. De preferência alguém bem antipático, cuja única qualidade seja reciclar lixo, afinal, não há por que fazer a ecologia pagar pela sua desventura.
Aguarde, respire profundamente e olhe à sua volta.
Esse exercício não tem nenhum resultado prático além de ocupar folhas de um caderno.
Bom, vale para rir um bocado das suas amigas que ainda estão na “fase mística” e realmente arrancaram páginas de um caderno novinho.
Serve também para você se sentir absurdamente idiota, mas pelo menos desta vez sem o constrangimento de ter testemunhas.
Parabéns. Você chegou ao fundo do poço. Daqui só há uma direção a seguir: para cima.
Para não dizer que estou abusando da sua paciência, se preferir, você pode usar o caderno novo para anotar a lista do supermercado ou o telefone do disque-pizza.
Na verdade, esse foi o melhor jeito que encontrei para demonstrar o grau de desespero que se pode atingir quando se leva todas essas fases ou a vida de modo geral muito a sério.
Ficamos suscetíveis a todo tipo de apelo e a todo tipo de pessoas que nos indiquem uma luz no fim do túnel ou um atalho seguro.
Fique atenta! São muitas as pessoas que se aproveitam da insegurança que a separação provoca para tentar impor verdades absolutas e teorias filosóficas sobre como “vencer a batalha (algumas chegam até a tentar vender “guias práticos”).
Testes, gurus, teorias e tudo o que oferece uma milagrosa maneira de fugir de alguma coisa nada mais é do que aquilo que anuncia: uma fuga.
Uma ruptura nunca é fácil, não importa de quem tenha sido a iniciativa. E fragilidade, momentânea ou não, não é defeito e muito menos motivo para vergonha.
Com o tempo você obterá os anticorpos para separar o que lhe faz bem ou não.
São esses mesmos anticorpos que mandarão a mensagem ao mundo de que o aprendizado foi concluído e, aí sim, você finalmente estará pronta para seu futuro.
Se nele está ou não um novo companheiro, só você saberá, no tempo certo.
Se você tiver sorte, não terá que passar por todas as fases apontadas por mim ou poderá passar por outras completamente diferentes.
Todas as bobagens e barcas furadas por que você passar, passará, quer queira, quer não, de uma maneira ou de outra. O segredo é aprender um pouquinho com cada experiência e manter a porta aberta para a próxima.
Com os mesmos defeitos e qualidades de qualquer outra mulher, separada ou não, você tem agora a vantagem de saber que pode enfrentar sozinha a maioria das barras, e esse aprendizado, ainda que forçado, é valioso demais para ser menosprezado.
Se prestar atenção e olhar à sua volta, verá que de uma maneira ou de outra tudo valeu a pena (sim! Inclusive o encontro com o gordinho que tem intolerância a leite e exala um odor de coalhada toda vez que fala da mãe).
No final, você sabe que se saiu bem. Finalmente aprendeu que sua melhor companheira é você!
E agora, que tal você e essa sua melhor companheira darem uma volta por aí?
Tem muita coisa esperando por você lá fora.
Aproveite e boa sorte!

*Photo via Visualhunt

**Conteúdo retirado do Livro “Aperte o cinto, seu marido sumiu”, com modificações, com a devida autorização e revisão da autora.

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Carla é escritora. Para ela, a vida começa e recomeça quantas vezes forem necessárias, a sua personalidade e o seu senso de humor que ditarão o quão divertida a jornada será.