Faça o que eu digo? Ou faça o que eu faço?

Queremos que nossos filhos façam o que mandamos/pedimos que eles façam e não o que nós fazemos. E tudo piora quando mãe e pai já não moram mais na mesma casa.

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É comum conversarmos com pais que se queixam que seus filhos não gostam de ler, que não comem saladas e que não arrumam a própria cama. Quando perguntamos a eles …” e vocês pais? comem salada, lêem livros e arrumam suas próprias camas na frente de seus filhos? “… A resposta geralmente é um envergonhado não! É o bicho papão das casas: a dupla mensagem. Queremos que nossos filhos façam o que mandamos/pedimos que eles façam e não o que nós fazemos. E tudo piora quando mãe e pai já não moram mais na mesma casa.

Pois então, o que parece uma atitude inocente dos pais desavisados é o pulo do gato das relações familiares – o ser humano aprende mais com o que vê do que com o que ouve! Os bons hábitos que cobramos deles precisam ser praticados em casa , por todos, todos os dias, como um bom modelo a ser seguido. Com o tempo, tudo o que queremos que nossos filhos façam vira rotina e a cobrança se torna desnecessária. O desafio é sempre em dose dupla para quem se separou: o primeiro passo é conversar com seu filho/a, explicar tudo aquilo que você espera dele e a partir daí ficar atento para os escorregões – não pode pedir para que ele coma toda a salada se você deixa as verdinhas no prato enquanto devora um hamburguer feito no microondas!Lembre-se de que as crianças estão a todo momento observando o que nós adultos fazemos. E se a todo momento o que ele escuta é diferente do que vê você fazendo com o tempo a casa cai.

Tudo fica ainda mais fácil se você tem um bom diálogo com o pai/mãe do seu filho. É possível em um breve bate papo concordarem em pontos básicos como horas a dedicar aos estudos, hora de ir dormir, tempo no videogame? Quem ganha com isso são seus filhos que poderão crescer em um ambiente menos contraditório, onde duas regras para a mesma situação geram sempre confusão visto que as crianças aprendem a levar vantagem neste ambiente quando deveriam estar aprendendo a gostar de salada e a arrumar a cama!

Olho no olho nesta hora é muito importante, sabe aquele bate papo que falei lá em cima, o que deve ser com seu filho? Seja sincero e explique os motivos pelos quais você às vezes não faz aquilo que pede para ele fazer – apesar de todos precisarem comer salada, o papel dos adultos e o das crianças não é o mesmo, lembrem-se disso! As regras podem ser construídas em conjunto, tudo pode e deve ser trazido para a conversa em família mas os adultos são o pai e a mãe, sempre. E cabe aos adultos entenderem que o filho precisa de oportunidades de acertar, de conseguir corresponder ao que é esperado dele e não de situações em que ele vai aprender a se dar bem e a justificar seu mau comportamento pois a mamãe também não arruma a cama dela e o papai nunca come salada na casa dele! Você tem claro qual é o papel do adulto na sua casa?

Que tal experimentar sair desse clima contraditório? Converse com seu ex e se possível inclua seus filhos no bate papo. Fale sobre o que está funcionando e sobre o que precisa melhorar . Façam combinados gerais sobre o dia a dia e depois coloquem o plano em prática. E se não funcionar logo no início, no tempo que você gostaria ,não desista, paciência e olho vivo nos resultados a longo prazo. Filho é para a vida toda e comportamentos saudáveis também.

Nesse espaço aqui já conversamos com você sobre a importância da rotina na vida dos grandes pequenos(clique aqui), trouxemos algumas ferramentas para priorizar as tarefas do dia a dia e tornar as obrigações mais fáceis de serem selecionadas (clique aqui), falamos de escolhas e de velocidade no dia a dia (clique aqui) e hoje te pedimos para pensar sobre a sua própria forma de aprender com seus filhos. Se eles não andam fazendo o que você pede vale gastar um tempinho pensando naquilo que você mesmo não anda fazendo, ou no que você e seu ex estão fazendo de contraditório – às vezes, com a melhor das intenções, passamos a dupla mensagem para nossos filhos sem perceber, como mandá-lo sair do computador com um grito da cama, deitada e assistindo netflix!

Me despeço deixando a pergunta: e na sua casa? e na casa do seu/sua ex? Seus filhos fazem o que vocês fazem? E vocês? Fazem o que gostariam que eles fizessem? Dependendo da sua resposta, pense no que vocês poderiam mudar para que o aprendizado de bons comportamentos seja mais natural em seu lar! Usem a sua criatividade e mudem a convivência com seus filhos para melhor! E se o diálogo com o pai ou a mãe de seu filho ainda não é bom, aproveite este momento para pensar se isso também pode melhorar.

Janeiro é uma boa época para trilhar novos caminhos

Abraço e bons passos.

*Photo credit: Daddy-David via Visualhunt / CC BY
** Clique no perfil da autora para visualizar mais textos. Boa leitura!!!

Vanessa é mãe em tempo integral, além de psicopedagoga e pesquisadora do psicodrama, da psicomotricidade e da aprendizagem humana. Divorciada, trabalha em uma escola internacional em São Paulo como educadora e, pelas inquietações da vida, fundou com amigos uma associação socioeducacional chamada FabricAções. Em seus textos publicados aqui, procura partilhar alguns dos tijolos necessários para as pontes que precisamos construir entre adultos e crianças no que diz respeito à aprendizagem para a vida. vanessameirelles@fabricacoes.com.br