Felicidade foi-se embora … Foi mesmo?

Empatia é a capacidade para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela.

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Ouvi nesse final de semana a entrevista do Cortela sobre o livro que lançou a seis mãos junto com Leonardo Boff e Frei Betto. Todos, cada um à sua moda, abordaram o tema da felicidade. O que me fez pensar sobre a continuação da nossa conversa sobre nossos filhos e o aprendizado da empatia, do agir sobre o que ela nos faz sentir, da alteridade, de ver o mundo além do próprio umbiguinho! (clique aqui)

Empatia, diz o pai dos burros, significa a capacidade para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo. Está intimamente ligada ao altruísmo – amor e interesse pelo próximo – e à capacidade do indivíduo de participar da vida em comunidade. E é aqui que a porca torce o rabo!

Será que quando um indivíduo consegue experimentar sentir a dor ou o sofrimento do outro ao se colocar no seu lugar, pode-se dizer que isso desperta nele a vontade de ajudar e de agir seguindo alguns princípios geralmente aprendidos no meio familiar?
Já começamos a tratar do próximo passo , do que a gente só descobre fazendo, perguntando e por vezes nos assustando e nos orgulhando do que falam os mais novos: …”mãe, por que o sapato do S. João (o faxineiro do prédio) é tão velho?… ”
Oito em dez vezes essa pergunta faz a mãe correr à sapataria mais próxima da casa com seu filho, escolher e pagar por um sapato novo e fazer muitas preleções sobre a vida de nababo que seu filho leva, ao contrário do S. João, que além de ter sapato velho, precisa trabalhar de faxineiro para se sustentar. Blá blá blá? O que será que seu filho entende de tudo isso? Quem tem dinheiro para comprar um sapato novo também tem o dever e o poder de decididir sobre o que é melhor para o seu próximo? Será que a solução é comprar um sapato novo para o S. João? Será que é isso que ele quer ou precisa? E será que é disso que seu filho precisa para ser empático e olhar o mundo além do próprio umbigo?

Todas essas perguntas nos remetem de novo para o seu lar leitor, e para a conversa que sugerimos que você começasse com seus filhos (clique aqui) : o que os incomoda quando olham ao redor? O que eles enxergam quando folheiam nosso mundo desigual com sua curiosidade?

Para quem já fez essa primeira parte aqui segue a segunda, bem à moda da FabricAções (clique aqui) onde juntos construimos as soluções para os problemas enfrentados por todos – o que pensam seus filhos quanto à solução dos problemas que enxergaram? Qual o papel que eles enxergam como deles? E vocês pais? Qual o papel de vocês nesse bate papo? Comprar o sapato para o S. João é o mais fácil deles, pois só requer o tempo e o dinheiro. Quais seriam as outras opções?

Finalizaremos este tema na semana da Páscoa.

Abraço e bom papo,

Vanessa Meirelles

* Photo credit: mislav-m via VisualHunt.com / CC BY
** Clique no perfil da autora para visualizar mais textos. Boa leitura!

Vanessa não é só mãe em tempo integral. Trabalha na co-criação de projetos e políticas educacionais que fomentem a emancipação do indivíduo. É professora especializada em inclusão escolar e social com ênfase na formação e acompanhamento de professores em sala de aula. Trabalha em uma escola internacional em São Paulo e, pelas inquietações da vida, fundou com amigos a FabricAções (www.fabricacoes.org.br) Em seus textos publicados aqui, procura partilhar alguns dos tijolos necessários para as pontes que precisamos construir entre nós e os outros, na busca pela nossa autonomia.