Graduando na vida

Não tive algum relacionamento pelo qual me orgulhe ou tenha saudades. Já senti tristeza e até culpa por conta disso. Mas, do fundo do coração, não me identifico com nenhum deles. Falta de sorte? Pode ser. Vejo como uma escola, eu estava aprendendo a ser gente.

graduando na vida (1)

Não tive algum relacionamento pelo qual me orgulhe ou tenha saudades. Já senti tristeza e até culpa por conta disso. Mas, do fundo do coração, não me identifico com nenhum deles. Falta de sorte? Pode ser. Vejo como uma escola, eu estava aprendendo a ser gente.

Emendei meus namoros e rolos um ao outro desde a adolescência, e me separei logo que meu filho nasceu. Isto é, nessa trama contínua, do meu primeiro beijo até dar à luz (um período de cerca de 20 anos), não me dei o tempo de me conhecer.

Manipulações, dramas, abusos, mentiras, crises, incertezas, apego, boicotes ao meu trabalho e claro, alguns momentos felizes. Não é culpa de ninguém. Eu estava em constante transformação, e mudanças sempre me geraram problemas dentro do ninho. Eram necessárias muitas adaptações e entendo que nem todo mundo esteja disposto a ficar dentro deste furacão emocional da minha cabeça.

Faz 3 anos que estou sozinha e tive o tempo de me reconhecer como ser humano, como mãe e como artista. Vi filmes, li muito, reencontrei amigos, conheci gente, estudei, ouvi música, comecei a escrever, explorei novas receitas na cozinha, acompanhei de perto o desenvolvimento do meu filho, descobri o amor próprio, me envolvi de leve com algumas pessoas muito bacanas e agora sim, me sinto pronta para me abrir. Sem pressa. Sem emergências. Apenas de coração aberto.

Me desculpe você que se relacionou comigo, se estiver lendo este texto. Não carrego mágoa nenhuma. E nem carinho algum. Mas saiba que sou extremamente grata, para o resto da vida, pelo que aprendi ao seu lado.

Conheça mais do trabalho da artista plástica Camila Morita

Link do trabalho www.flickr.com/camilamorita

Instagram: @moritacamila

Camila Morita é formada em Arquitetura e Cenografia e dedica-se à ilustração e pintura desde 2007. Sua obra passa por várias fases e representa cada circunstância marcante em sua vida, resultando em séries intimistas e com um plano de fundo onírico. Para complementar estes grafismos, utiliza de textos para concluir e reorganizar os próprios pensamentos e devaneios.