Libertando os fantasmas e exercitando o desapego...

Já havia checado essa caixa de fotos antes e sempre resolvia guardar, e subitamente percebi que havia guardado por 20 anos. O que me fez guardar tanto tempo? O que me impediu de desapegar antes?

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Acabei de fazer uma mudança de casa, e como todos sabem mudança é algo que dá muito trabalho…
Estava acelerada, querendo colocar tudo em ordem logo, quando recebi um conselho de uma amiga, que me disse: vai no seu tempo, curtindo…
Parei, respirei fundo e percebi que o processo podia ser mais leve, mais divertido e que não importava quanto tempo demorasse, afinal não estava trabalhando com prazos.
Eu nunca fui de acumular coisas, adoro fazer doações para abrir espaços para o novo! E mesmo assim me dei conta que muitas coisas sem utilidade havia guardado ao longo dos anos.
Fiz algumas sessões de desapego, roupas, acessórios, sapatos e objetos que faziam parte de histórias do passado. Separei e doei! Sem apego!
Mas o que foi mais significativo para mim, foi quando encontrei uma caixa cheia de fotos, e como não estava com pressa mesmo, abri a caixa e comecei a olhar uma por uma. De repente me deparei com várias fotos de um ex… nossa quanto tempo, quantas histórias, quantos sentimentos vieram à tona, quantas lembranças…
Já havia checado essa caixa de fotos antes e sempre resolvia guardar, e subitamente percebi que havia guardado por 20 anos.
O que me fez guardar tanto tempo? O que me impediu de desapegar antes?
Olhei bem na cara dele e disse em voz alta: obrigada por tudo que vivemos juntos, sinto muito por tudo que houve, me perdoa (pra mim mesma), eu te amo (amor incondicional). Essas são as quatro palavras do ho’oponopono, uma meditação Havaiana que nos liberta de forma profunda de amarras que nem sabemos bem porque existem, mas que ficam ali atravancando nosso caminho.
E depois, ainda falei: você não foi legal comigo. E nesse momento rasguei todas as fotos. Foi uma sensação difícil de descrever, senti que realmente algo foi libertado de dentro de mim, como uma caixinha que se abre e de repente fica tudo leve…
Consegui nesse momento me perdoar também, entendi que naquela ocasião, com vinte anos não sabia bem o que era amor próprio e por isso não sabia o que podia ou não permitir num relacionamento. Senti paz no meu coração.
Tinha um lado meu de apego, de carência, de romantismo e de ingenuidade que me fazia ser benevolente num grau que esbarrava no meu amor próprio. Hoje entendo que era tudo isso que me impedia de desapegar, não das fotos em si, mas de tudo que elas representavam.
E entendi que 20 anos foi o tempo que eu precisei para aprender a me amar. Um processo doloroso, demorado, profundo, intenso, lindo e fundamental para florescer a mulher que sou hoje. Nesse caminho tive ao meu lado ajuda de psicólogos e amigos que levo no coração.
Termino esse texto com o conselho da minha amiga para quem está querendo e/ou precisando libertar alguns fantasmas e querendo se sentir mais amada por si mesma:
Vá no seu ritmo, respeitando seu processo, o seu tempo, a sua jornada que é única e que contem em si um mundo de aprendizados.
O processo pode ser mais leve? O que te impede?
Com amor,
Célia

Celia é coach de vida e carreira e psicoterapeuta corporal. Credenciada pelo ICF (International Coach Federation-EUA) celimarsil@gmail.com