Metamorfose é vida

talvez, assim como aqui no EXNAP, a palavra RECOMEÇO seja chave para entendermos um dos possíveis lembretes que nos faz ROMA: TODOS nós recomeçamos, sempre e a todo momento.

roma

ROMA é o nome de um bairro de classe média da Cidade do México. 

ROMA é também o filme ganhador do Leão de Ouro no festival de Veneza, em 2018. Produzido  pela Netflix  e dirigido  por Alfonso Cuarón foi escolhido por meu companheiro para nossa sessão de  cinema familiar de domingo.

Durante as duas horas  da sessão minha mente conversou com a palavra metamorfose: para quem se lembrou de Kafka e da barata… Não se engane! Dentro de minha caixola eu falava com Ciampa, Liliane, Juracy, Vera e mais uma turminha das antigas, generosa com a geração que, como eu, nasceu no início da década de 70. Quando  ainda empunhávamos mamadeiras e chupetas, esse pessoal já marchava e se metamorfoseava há alguns anos, ao som das bandas militares, sob a guarida dos padres da PUC-SP.

De volta à ROMA, o filme:  lá também havia marcha e banda, e uma outra turminha generosa: o diretor faz dos acontecimentos um outro personagem em cena. O encadeamento  dos fatos históricos serviu não só de pano de fundo para as narrativas pessoais mas, assim como para Ciampa e sua turma, desempenharam papel relevante nestas.

Com o desenrolar da trama, lá se foram de novo, meus pensamentos, a dialogar com as turmas generosas: estaria a violência escondida  por detrás da brancura do uniforme daqueles que marchavam na banda militar do bairro?  Era essa violência tão transparente quanto as roupas dependuradas pelas mãos morenas nos terraços das mansões? Teria a desagregação  dos personagens começado pela descoberta de uma gravidez indesejada? Teria sido  a morte dos  estudantes  um prenúncio do fim da vida natimorta? É no final de um relacionamento que se inicia uma nova aventura em família? E tudo isso em busca da EMANCIPAÇÃO? 

Terminada a sessão, continuei pensando com meus botões: talvez, assim como aqui no EXNAP, a palavra RECOMEÇO seja chave para entendermos um dos possíveis lembretes que nos faz ROMA:  TODOS nós recomeçamos, sempre e a todo momento.  E quando  isso acontece, nós NÃO somos, necessariamente,  sempre os mesmos  de “nós” lá do começo da estória! Somos sempre outros, pois nos metamorfoseamos em muitos e múltiplos de nós a cada novo  reinício:  nem melhores, nem piores, DIFERENTES!    

Deixo a todos com um  abraço e um convite: quem de você está em metamorfose agora?

E aqui uma pontinha do pensamento da Silvia, outra  integrante da ala mais  velha  da turma do Ciampa,:

…Se o homem não for visto como produto e produtor,

não só de sua história pessoal, mas da história de sua

sociedade, (…)  a ciência  estará apenas reproduzindo as

condições necessárias para impedir a emergência das

contradições e a transformação social…(Lane, 1989, p. 15)

Fontes:

ROMA  – direção Alfonso Cuarón / produção original Netflix

O sintagma identidade-metamorfose-emancipação

http://www.scielo.br/pdf/psoc/v29/1807-0310-psoc-29-e177585.pdf

Vanessa Meirelles

www.linkedin.com/in/vanessameirelles

Vanessa não é só mãe em tempo integral. Trabalha na co-criação de projetos e políticas educacionais que fomentem a emancipação do indivíduo. É professora especializada em inclusão escolar e social com ênfase na formação e acompanhamento de professores em sala de aula. Trabalha em uma escola internacional em São Paulo e, pelas inquietações da vida, fundou com amigos a FabricAções (www.fabricacoes.org.br) Em seus textos publicados aqui, procura partilhar alguns dos tijolos necessários para as pontes que precisamos construir entre nós e os outros, na busca pela nossa autonomia.