Milagre

O Diabo que te Carregue capítulo 40

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É sempre assim. Basta você separar a roupa para sair com alguém, deixar calcinha minúscula, aquele sutiã especial, saia preta, blusa, sandália sexy, colares, tudo separado sobre a cama, à espera do encontro que virá, para que o tal encontro vá para o espaço.

Se você deixar a roupa arrumada, é batata: você vai dançar. No mau sentido.

Uma das sensações mais frustrantes que você já experimentou, e continua experimentando, é guardar as roupas que deveriam ter sido usadas numa noite espetacular, a noite espetacular que foi para o brejo.

Depois do fora, você abre as gavetas e vai guardando, com a cabeça baixa, peça por peça. Voltem para a escuridão dos seus casulos, pobres armas sedutoras, armas que não entraram em combate, voltem.

Talvez seja isso que faz com que as pessoas se casem: o cansaço, o absoluto fastio, de ficar à espera de um encontro incerto, de uma transa possível, de um carinho, muitas vezes, de plástico. Então é tranquilo o alvo do seu desejo estar a dois metros de distância, é agradável a sensação de certeza. Até que – sempre tem um “até que” – ele deixa de ser o alvo do seu desejo. A segurança morna se torna uma prisão viscosa e pouco atraente.

Fico olhando essas mulheres caras de pau na televisão, vendendo cursos para revitalizar o casamento. Qualé! Não existe nada que revitalize o desejo sexual dentro de um casamento, simplesmente porque a paixão foi embora – aquela coisa que fazia a gente passar três dias seguidos na cama.

Nada pode acender a paixão, a não ser a adversidade: se ele estiver do outro lado do oceano, se houver quem se oponha ao seu romance, se houve uma guerra que afaste o gajo dos seus braços, aí, então, com o gás da adversidade, a paixão pode até durar mais do que um ano.

Não sabia? O prazo de validade da paixão é, em média, um ano, às vezes menos. A de Tristão e Isolda durou mais porque eles tinham uma poção mágica e a adversidade a seu lado: dupla garantia para segurar a onda da paixão instável. Essas mulheres caras de pau que não venham com novas posições, fantasias de enfermeira nem um Kamasutra passo a passo, porque nada disso funciona.

Então você olha para o seu sutiã preto voltando para a gaveta e pensa: “Será que um dia eu vou me apaixonar por alguém e esse alguém vai se apaixonar por mim, ao mesmo tempo? Será que esse milagre vai acontecer de novo comigo?”.

Milagre. Andar sobre águas profundas? Multiplicar pães? Ressuscitar mortos? Curar leprosos? Acalmar tempestades? Qualé! O verdadeiro milagre da humanidade são duas pessoas se apaixonarem uma pela outra ao mesmo tempo e na mesma intensidade! O fato vai contra todas as possibilidades – mas ele acontece, é inegável que sim.

Será que um dia a premiada será você? Será que um dia o sutiã preto não vai mais voltar murcho e cabisbaixo para a gaveta sem ter tido seu fecho quase quebrado por uma ansiosa mão masculina? Quem sabe? Os deuses são caprichosos.

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**Esse conteúdo foi originalmente publicado no livro: O Diabo que te Carregue, da autoria de Stella Florence e foi reproduzido aqui com a devida autorização e revisão da autora.

 

 

Stella Florence é escritora, autora dos sucessos "Loucura de Estimação", “Os Indecentes”, "Eu me possuo" entre outros livros que tratam do universo feminino. Stella é cronista veterana e parceira do Exnap! www.stellaflorence.net