Motel

“O diabo que te carregue!” Capítulo 37

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O grande e pesado portão de ferro do motel se abre. Não, você não quer sair dali, mas é preciso. Ao embicar seu carro na rua, você é jogada de volta à vida comum.

Espera um pouco: como assim, comum? Comum nada! O céu esbranquiçado despeja sobre os carros uma luminosidade opaca e a poluição rasga as narinas com um pouco menos de rudeza, suavizada que foi pela chuva intermitente da noite. Uma manhã linda, senhoras e senhores, absolutamente divina!

Assim que você deixa aquele um metro e oitenta e sete centímetros de homem na porta do estacionamento do shopping – onde o carro dele havia ficado preso na noite passada –, você pisa no acelerador mais fundo que de costume e, com uma profunda reverência, agradece a Deus.

Oh, sim! A gente não deve agradecer apenas quando se cura de alguma doença ou escapa de um perigo: catorze horas de um encontro intenso e absoluto (carne, unha e alma) merecem ser profundamente agradecidas. Então você agradece.

Uma adolescente leria isso e diria: “Que exagero!” Exagero coisa nenhuma. Ela não sabe o que é passar anos num casamento inicialmente morno, depois em crise e, mais tarde, amargar meses e meses de um inferno que não parece arrefecer: a separação. Depois disso tudo, depois da terra desolada pela guerra, é preciso plantar, reconstruir, mas como, se você está sedenta? Primeiro você precisa encontrar uma perna cabeluda que esteja disposta a lhe causar arrepios – e que de fato cause. A tal adolescente não tem a menor ideia do quanto é difícil encontrar alguém por quem você se sinta imediatamente atraída e confortável. Tão atraída e confortável que, após três horas num café, a continuação do papo num motel mostra-se a mais natural das decisões. E você viveu esse milagre.

Aquele homem te apertou como se você fosse propriedade dele, e te beijou como se a Terceira Guerra tivesse estourado e ele estivesse embarcando para uma longa e incerta temporada de lutas longe da sua boca, e ficou olhando deslumbrado para o seu rosto.

Você, por algumas vertiginosas e estupendas horas, se sentiu amada. Não, você não está falando aqui só de prazer físico, coisa fácil de conseguir e nem sempre satisfatória. Este homem, um homem cujo próximo telefonema você vai esperar ansiosamente, conseguiu, por algumas horas, fazer você se sentir amada. E livre das inibições e dos pudores de menina que tanto te incomodam.

Você só não para o carro e chora agora porque não está acostumada a chorar de alegria.

 

 

 

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**Esse conteúdo foi originalmente publicado no livro: O Diabo que te Carregue, da autoria de Stella Florence e foi reproduzido aqui com a devida autorização e revisão da autora.

Stella Florence é escritora, autora dos sucessos “Os Indecentes”, "32", “Hoje acordei gorda”, entre outros. Stella é cronista veterana e parceira do Exnap! www.stellaflorence.net