Um conto de Natal às avessas...

Meu primeiro sem as crianças. O dia em que tudo mudou. Pelo menos pra mim. Ali, o meu espírito natalino apagou. Tudo perdeu o sentido. A árvore, as luzes, o tal do Papai Noel.

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Luzes piscando. Cidade iluminada. Papai Noel. Espírito Natalino. Noite de Natal… E minha única vontade era me esconder debaixo do edredom. Meu primeiro sem as crianças. O dia em que tudo mudou. Pelo menos pra mim. Ali, o meu espírito natalino apagou. Tudo perdeu o sentido. A árvore, as luzes, o tal do Papai Noel.

Nunca mais brilho nos olhos, nunca mais expectativa dos presentes da manhã seguinte. Nunca mais jantar com a família toda. Ainda que as memórias do último Natal de família de propaganda de margarina fossem recheadas de momentos frios e tristes. Ainda que eu tivesse o tempo todo que me esforçar pra ignorar aquele fantasma pairando ao lado dele, reafirmando sua existência a cada momento. Gritando mais alto quando eu percebi que aquele presente escondido no armário dele não era pra mim.

Apesar de já não existir amor, nem a ilusão do tal Feliz Natal e Próspero Ano Novo.

Mas tinha o brilho nos olhos delas. Era suficiente. É incrível como a mistura presentes, crianças, sorrisos e ceia de Natal tem o incrível poder de apagar mágoas, ou ao menos de escondê-las atrás da árvore… “Até o ano que vem”.

Mas acabou. Tudo isso. Sobrou a luta interna de não deixar que a total falta de brilho nos meus olhos e as lágrimas que me inundaram durante todo o mês de dezembro atrapalhassem a delícia da infância delas.

Ano que vem talvez volte. Talvez eu consiga fazer o espírito renascer das cinzas. Todo ano eu repito o mantra… Talvez ano que vem….ou no outro…

Afinal, é Natal… Tudo pode acontecer…

* Imagem Pixabay
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Clara é escritora, divorciada, mãe, apaixonada, feliz. O seu maior prazer é deixar as palavras brincarem na sua cabeça e assumirem o controle. Recomeça todos os dias, se equilibrando em mágoas e amores.