Necessidade básica - Diário de Verônica Volúpia

Atrair um homem requer sutileza.

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Tem gente que pensa que eu não faço mais nada da vida, só sexo. Quem me dera! Infelizmente, nosso sistema biológico tem outras necessidades básicas as quais não podemos negligenciar. Mas sim, eu acho que tudo gira em torno de sexo. E que ele está por trás de todas as outras questões de sobrevivência. Não penso que isso seja um problema, muito pelo contrário: o sexo nos transforma em seres humanos melhores. É por ele e com ele que deixamos de lado o egoísmo absoluto e pensamos no outro, nem que seja em usufruto próprio.

A natureza não é perfeita. Os homens, por exemplo, têm 20 vezes mais volume de testosterona, o hormônio que rege os impulsos sexuais, do que nós mulheres. É um dado estatístico. Ou seja, se você pensa em sexo uma vez por dia, eles pensam uma vez por hora. Tudo bem que nós pensamos neles a cada minuto, talvez seja por isso, sim, só pode ser por este motivo que não nos sobra tempo para pensar em mais nada. Eles focam em sexo, nós em maneiras de atraí-los e satisfazê-los. A natureza é sábia.

Mulher não toma banho: se transforma. É um ritual de passagem delicioso, relaxante, revigorante, é um artifício que você usa para que? Para modificar o seu cheiro pessoal e único e substituí-lo por outro que foi propagandeado como mais cheiroso e agradável para eles. A indústria de cosméticos gasta milhões em pesquisa para desenvolver perfumes que se assemelhem ao nosso cheiro natural e aticem feromônios. Pra quê? Não temos isso de graça? Tínhamos.

Estamos submersas em odores comprados. Talvez você não goste de lavanda, talvez menos ainda de rosa mosqueta. Mas passamos a acreditar que eles gostam. E sim, eles também passaram a acreditar nisso e nem sabem mais como é o cheiro verdadeiro de uma mulher. Espalhamos hidratante em cada milímetro das nossas curvas, acariciando a pele em movimentos circulares como num rito preparatório de endeusamento, de preferência na presença de um belo exemplar másculo, e exalamos um aroma de flor para quem? Eles nos querem flores, nós nos entregamos buquê. Por quê? Sexo.

Atrair um homem requer sutileza. Sim, eu conheço a piadinha do “sutileza de um paquiderme”. Estou falando de um homem de verdade, de pescar sua essência, o olhar faminto, a narina pulsante, estou falando de cravar um anzol de aço na carne instintiva do macho que há nele, fazê-lo sentir-se bicho, primata, fazê-lo urrar por você, brigar por você, desejar você a partir das entranhas. Todas nós temos esse poder. E ele não está à venda nas vitrines. Está bem dentro de nós.

Um pavão não compra as suas belíssimas penas para encantar a sua fêmea. Ele usa as armas que tem. Nós estamos muito ligadas a artifícios exteriores e muito, muito pouco conectadas com nossa seiva mulher. É claro que moda e maquiagem e todo o resto dos milhares de acessórios de beleza são invenções maravilhosamente importantes. Mas não devem ser imprescindíveis. Lembre-se, são acessórios. A essência está em você, a roupagem principal deve habitar no seu íntimo. O que você tem vale mil vezes mais do que o que pode comprar.

Sexo é muito mais do que um apanhado de regras e posições sexuais. Sexo é muito mais íntimo do que anda sendo. Por que está cada vez mais raro encontrar um bom parceiro ou parceira, não para relacionamentos, mas para os jogos da cama? Porque estamos massificados. Nossos cheiros, nossos paladares, nossos perfumes, até a nossa opinião sobre o que é belo ou feio é induzida.

Nós nos desacostumamos a olhar para dentro e perguntar “Hei, mas o que eu penso sobre isso?”. Nós nos desacostumamos a consultar os sentimentos, a nossa voz interior. Nossa intuição, então, é uma coitada relegada a último plano. Somos uma infinita reprodução de um ideal, de um estereótipo. E o que somos reflete na nossa entrega. O que somos atrai pares compatíveis. Como pode germinar um bom sexo num terreno de plástico? Adube-se. Revolva-se. Remexa-se. Repense as suas necessidades básicas. Repense-se.

Trecho do livro “O DIÁRIO DE VERÔNICA VOLÚPIA”, por Ana Kessler.

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O Diário de Verônica Volúpia – As picantes confidências de uma libertina moderna, ousada, sexy. Sem tabus. livraria.bookstart.com.br
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Ana Kessler é escritora e Coach. Foi editora-chefe dos portais femininos Bolsa de Mulher e Tempo de Mulher, e coordenadora do núcleo de internet do Jornalismo da TV Globo/RJ. É autora das séries "Sensações de Sofia" e "O Diário de Verônica Volúpia", que virou livro. Gaúcha de Porto Alegre, paulistana de coração, é apaixonada pela alma humana e pela filha Ana Bia, de 12 anos, o amor da sua vida. É sócia do EXNAP, cuida da área de Planejamento e Novos Projetos.