No meio do caminho tinha uma pedra. Que bom!

Em tempos de " menos é mais" achei por bem começar o ano resgatando as simples pedras. E não é que topei com várias delas antes da virada?

yoga
Photo by Eneko Uruñuela on Unsplash
Mesmo quem não curte poesia conhece ao menos os primeiros versos de ” …No Meio do Caminho …” – tido como uma das obras-primas de Drummond.

Publicado em 1928  dizem os críticos que a suposta intenção do autor seria abordar os obstáculos (as ditas pedras) que as pessoas encontram na vida.  Abro aqui um parênteses : apesar  de ser professora de literatura nunca curti muito as tais “Análises ” das obras literárias.  Por sorte nem meus alunos que já à época da minha graduação na PUC  diziam em coro ” … arte é para ser sentida… ”  . Todos na expectativa de se livrarem das análises obrigatórias!Por sorte eu os ouvi – e senti junto com eles!

Fechando o parênteses e voltando às pedras, é sabido que logo de sua publicação o poema sofreu duras criticas pela sua simplicidade e repetição.

Em tempos de ” menos é mais”  achei por bem começar o ano resgatando as simples pedras. E não é que topei com várias delas antes da virada?
Pedras várias: mineira, sabão, calcárea! Pequenas médias, grandes!

E sobre todas elas fiz o mesmo ritual contemplativo:  permaneci pelo máximo tempo possível em árvore (VRKSASANA) até que os obstáculos ao redor me trouxessem de volta à realidade.

Posso dizer que do alto de cada uma das pedras a sensação era parecida – como vou me equilibrar , como evito a queda ao fechar os olhos, como isso, como aquilo…

E depois da terceira ou quarta tentativa mudei de estratégia e passei a aproveitar o desnível das rochas para aprimorar minha técnica: o equilíbrio só veio quando usei a pedra a meu favor!

E foi aí que veio a ideia desse primeiro texto do ano: que venham as pedras! Muitas! Todas!

Que venha 2019!

Vanessa não é só mãe em tempo integral. Trabalha na co-criação de projetos e políticas educacionais que fomentem a emancipação do indivíduo. É professora especializada em inclusão escolar e social com ênfase na formação e acompanhamento de professores em sala de aula. Trabalha em uma escola internacional em São Paulo e, pelas inquietações da vida, fundou com amigos a FabricAções (www.fabricacoes.org.br) Em seus textos publicados aqui, procura partilhar alguns dos tijolos necessários para as pontes que precisamos construir entre nós e os outros, na busca pela nossa autonomia.