O amor não vivido

Por conta do acaso ou não, nos desencontramos de várias maneiras, em diversas ocasiões. Se eu subia, ele descia. Eu ia pra direita e ele, esquerda. Um girava, o outro pulava. Um período confuso e muito, muito estranho.

Amor não vivido

Nada de discussões, portas batendo, cara virada, nem mesmo uma mágoa sequer. Apenas a brisa suave da saudade, que vibra de tempos em tempos no fundinho do coração. Que coisa mais perfeita é o amor que não se concretizou!

Ele era gato. Inteligente, educado, gentil e atencioso. O via esporadicamente e claro, me apaixonei. Mas não foi uma paixãozinha como as que tenho a cada quinzena. Foi uma paixão que, mesmo depois de mais de uma década, ainda me gela a espinha.

Por conta do acaso ou não, nos desencontramos de várias maneiras, em diversas ocasiões. Se eu subia, ele descia. Eu ia pra direita e ele, esquerda. Um girava, o outro pulava. Um período confuso e muito, muito estranho.

Tentava ir até ele mas estava atolada até o pescoço com compromissos de trabalho e, no fim ele acabou se mudando para 600 km de distância do meu abraço. Não nos vimos mais. E eu nunca o esqueci. Fiquei apenas com as poucas lembranças boas dos curtos momentos que passamos juntos.

Que triste.

Que lindo.

Carta para D.

O que seria de nós

Se eu tivesse tido coragem

De dar o primeiro passo

Até você

O que seria do nosso amor

Se eu largasse tudo

E fosse ao teu encontro

Te assumir e viver junto

O que seria de mim

Percorrer tantos quilômetros

E matar a sede

De tantos anos

O que seria de ti

Ao viver comigo

Ter o meu coração como abrigo

O que seria dos traços

Se encontrariam

Seriam os nossos laços

O que seria agora

Se te reencontrasse

Você me daria

Mais uma chance?

Conheça mais do trabalho da artista plástica Camila Morita

Link do trabalho www.flickr.com/camilamorita

Instagram: @moritacamila

Camila Morita é formada em Arquitetura e Cenografia e dedica-se à ilustração e pintura desde 2007. Sua obra passa por várias fases e representa cada circunstância marcante em sua vida, resultando em séries intimistas e com um plano de fundo onírico. Para complementar estes grafismos, utiliza de textos para concluir e reorganizar os próprios pensamentos e devaneios.