O tempo não volta, mas você continua valendo a pena

Entendi que quanto mais tempo eu despendia tentando entender, menos eu compreendia – e menos tempo eu tinha para ser feliz. Quando nos damos conta de que o princípio dos recomeços é o desapego, criamos novas perspectivas sobre nós mesmas, abrimos caminhos para as possibilidades e, sobretudo, otimizamos o nosso tempo.

o tempo não volta

A primeira pergunta que me faço diante de situações difíceis é: “isto realmente vale a pena?”. Com o tempo, percebi que constantemente a resposta é negativa. Não, não vale a pena. Não vale se desgastar para ter razão, não vale se despedaçar para se fazer entendida, não vale se arrepender nem remoer o passado, nada disso. Nem os 10 segundos que levo para fazer esta pergunta. E isto de fato me acalma.

Em 2007 eu estava num relacionamento com uma pessoa que conheci na faculdade. Nos vimos e nos apaixonamos logo de cara, fomos morar juntos, tudo lindo, ele era o homem da minha vida. Estávamos descobrindo o mundo, cheios de sonhos para o futuro e quando nos formamos, comecei a notar os primeiros sinais de que as coisas não iam muito bem. Eu emendei uma pós graduação e me dividia entre trabalhos na minha cidade no interior de São Paulo e na capital.

Fui convocada para uma exposição em outro país e por conta disso deixei o ex-parceiro me cobrindo no trabalho. Passei 3 meses fora e quando voltei, perdi o chão. Ele havia me traído com as estagiárias, dentro do meu ambiente de trabalho. Dia após dia, a primeira semana de retorno foi virando um inferno. Depois os meses seguintes. E os dois anos posteriores que vivi ao lado dele, que só serviram para aprofundar ainda mais todas as feridas. Foi como uma série de ondas na minha cabeça: quando eu estava retomando o ar, vinha uma outra mais forte e me puxava para um turbilhão de confusões emocionais. Eu me mantinha ali, agarrada aos meus sonhos e ao que poderíamos voltar a ser. Queria entender, encontrar a explicação para os meus por quês. Eu me relacionava com as minhas próprias questões. O cara já não estava mais ali há anos, porém ele não me disse e eu tampouco queria enxergar.

Fui para a psicanálise e passei por diversas terapias alternativas para conseguir sair desta relação, mas levei um bom tempo para me perdoar. No fundo eu estava muito apegada. Apegada ao que poderia ser. Apegada ao fato de ter gasto tanto tempo da minha vida lutando. E tempo (e o que fazemos com ele), é a coisa mais importante que temos.

Entendi que quanto mais tempo eu despendia tentando entender, menos eu compreendia – e menos tempo eu tinha para ser feliz. Quando nos damos conta de que o princípio dos recomeços é o desapego, criamos novas perspectivas sobre nós mesmas, abrimos caminhos para as possibilidades e, sobretudo, otimizamos o nosso tempo. O tempo que se gasta com um pensamento ruim é o mesmo que se leva com um bom, e daí podemos colocar tudo na balança e ver oque é mais importante.

Eu sei, não é um caminho fácil. Mas é totalmente possível. Isso sim vale a pena.

 

 

Conheça mais do trabalho da artista plástica Camila Morita

Link do trabalho www.flickr.com/camilamorita

Instagram: @moritacamila

Camila Morita é formada em Arquitetura e Cenografia e dedica-se à ilustração e pintura desde 2007. Sua obra passa por várias fases e representa cada circunstância marcante em sua vida, resultando em séries intimistas e com um plano de fundo onírico. Para complementar estes grafismos, utiliza de textos para concluir e reorganizar os próprios pensamentos e devaneios.