Oi, sou Carla... Muito prazer!

Não adiantou mudar radicalmente de ares, de estilo, de cabeça. O tempo não pára enquanto a gente posa para a foto. A vida acontece e cada fase tem seus prós e contras.

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Todas as quintas, temos apresentado um texto da Carla Spach. Nossa cronista e autora preferida (não conta pra ninguém)!!! Há alguns anos ela escreveu o livro “Aperte o Cinto, meu Marido Sumiu”, publicado pela editora Matrix. Os textos, que contam de forma inteligente e irônica a “saga” de um divórcio, têm tornado as nossas quintas mais leves e divertidas. Decidimos dar uma pausa essa semana para apresentar a Carla, com um texto escrito por ela mesma.

“É, pois é… Eu sou aquela que foi dormir com 30 e acordou com 40 anos. Isso já faz um tempo…. Na época foi um baque! Viajei, surfei e  pirei na batatinha… Até me reorganizar, fiz o possível para recuperar o tempo perdido, aproveitando cada segundo para fazer o maior número de bobagens e tomar todas as decisões erradas que fossem humanamente possíveis. De vez em quando, por talento ou pura sorte, dei minhas bolas dentro. Também tive dramas pessoais no caminho que me fizeram perder o chão.
Aí, no meio do turbilhão, como a estabilidade emocional estava demorando para chegar, resolvi “criar raízes”, justo eu, que a vida inteira achei que queria “ser livre”, “uma cidadã do mundo”, seja lá o que eu achava que isso significasse …
Só que levei essa minha nova fase meio ao pé da letra e mudei para uma chácara! Pois é, direto da Av. Paulista para o meio do mato e com um marido novo, que era para colocar a cereja no bolo.
Natureza, pássaros, gatos, cavalos… Já tinha escrito um livro, já tinha decidido que não teria filhos, o que faltava? Adivinha…
Plantei árvores! Muitas árvores!
Claro, plantei a maioria no lugar e da forma errada e disse: “aí, plantinha, te “resgatei” de um caminhão na beira da estrada, trouxe você pra este lindo lugar, fiz um buraco, coloquei adubo e água. Agora é com você. Vou pra rede esperar até poder colher seus frutos”.
Surpresa para a moça ( já não tão moça…) da cidade: aquela história de dar a vara e ensinar a pescar não funciona muito bem com árvores.
Sorte do Adão e da Eva que já encontraram o paisagismo e o pomar prontos, porque aqui deu tudo errado. Eu entendo de descobrir sebos interessantes, restaurantes descolados, museus. Sou rata da cidade. No que raios eu fui me meter!?!
Exausta, fui cochilar na rede (fazer compras no shopping para espairecer estava meio fora de cogitação, mesmo porque o shopping decente mais perto fica há uns 50km de distância).
Descansei, fiz minhas coisinhas, relaxei… Cochilei e pimba! Quando abri meus olhos, mais 10 anos se passaram!!
Não adiantou mudar radicalmente de ares, de estilo, de cabeça. O tempo não pára enquanto a gente posa para a foto. A vida acontece e cada fase tem seus prós e contras. Não acredito muito em ditados do tipo “a vida começa aos  30 ou aos 40”, pra mim a vida começa e recomeça a cada minuto. E não é o que está a sua volta que dita o ritmo, mas o que você tem para oferecer. Seus sonhos e suas vontades ditarão o caminho. Sua determinação – e um bocado de sorte – vão dizer se você alcançará seus objetivos. Mas vai ser a sua personalidade e o seu senso de humor que ditarão o quão divertida a jornada será. De minha parte, não pretendo mais perder tempo… Dá-lhe Gonzaguinha! Com todos os percalços, a vida, como ele dizia, “é bonita, é bonita e é bonita!!!”

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*imagem: Pixabay
**clique no perfil da autora para visualizar outros textos. Boa leitura!

Carla é escritora. Para ela, a vida começa e recomeça quantas vezes forem necessárias, a sua personalidade e o seu senso de humor que ditarão o quão divertida a jornada será.