Pare de tentar abrir a janela pelo lado de fora!

O que quer que você esteja vivendo, não é algo entre você e o outro. É algo entre você e sua própria alma.

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Photo by Alexandre Chambon on Unsplash

Relacionamentos não são meros espaços de entretenimento. São lugares de crescimento, aprendizado, evolução. Isso quer dizer que, mesmo nas relações mais harmoniosas, há momentos de desafios. De vez em quando o caldo entorna, os sentimentos ficam confusos, a paciência fica escassa, o medo chega devagarinho e começa a fincar suas garras, estrangulando o amor. Nessa hora é preciso respirar fundo, deixar a onda emocional passar, enxergar com clareza o que possa estar acontecendo. É preciso ter uma boa dose de discernimento em momentos assim.

Muitas vezes, a gente tem vontade de fugir, de nos afastar do outro, de voltar para dentro dos muros e armaduras onde nos sentimos tão mais seguros.

Eu sei… Existem relações que de fato apodrecem. Transformam-se em espaços doentios que não fazem bem a ninguém. Quando o respeito já não existe e a relação se transformou em um espaço de agressão e desamor, o melhor caminho pode ser mesmo a separação. Relações tóxicas não deveriam jamais ser permitidas, são interações que desonram nossa própria existência.

“O amor nunca nos pediria para nos ferirmos em seu nome, entendem?”

No entanto, outras vezes, mesmo em meio às dificuldades, o amor pode estar vivo. Pode estar adormecido sob uma camada de medos e condicionamentos. Todos nós viemos de histórias familiares imperfeitas e, às vezes, de uma sequência de ferimentos afetivos. Muitas vezes já fomos enganados, traídos, abusados, feridos… (Quem nunca?).

Essas marcas tendem a ressurgir, quando um relacionamento vai ganhando profundidade. A história é quase sempre a mesma. No início da relação, na camada superficial, tudo parece lindo. Mas com o tempo, o que estava escondido vai surgindo. A sombra vai aparecendo devagar. As nossas. As do outro. Muitas vezes esse é um momento decepcionante e assustador.

Essa era a função dos relacionamentos, lembram-se? Ajudar-nos a integrar nossas sombras, a nos tornarmos inteiros. Assim, quando o negativo aflora, é um sinal de que existe aí uma oportunidade evolutiva. Uma chance para conhecermos uma parte de nós que, até então, estava escondida. Isso não é ruim.

Mesmo quando a sombra parece ser do outro, saiba que existe lá um pedacinho que lhe pertence, ou você não teria atraído isso para a sua vida. Não existe erro no Universo.

Por esse motivo, é preciso ter calma nesses momentos difíceis. Cuidado com a ansiedade, a pressa em resolver as coisas. Respire e observe. Tente se aprofundar, buscar aquilo que você não está conseguindo perceber superficialmente. Por mais escura que nos pareça uma situação, sempre existe uma saída. Uma brecha por onde a luz possa entrar.

Digo isso porque a luz é tudo o que existe. Está SEMPRE lá… Disponível a abrir uma janela para um mundo melhor. Somos nós, aprisionados na pequenez da nossa mente, que nos separamos da nossa verdadeira natureza.

O novo, o criativo, o libertador, só vem quando acessamos o infinito território da alma.

Assim, em momentos de desafio, atravesse as limitações de sua mente pequena e mergulhe. A saída para qualquer situação é como um botão mágico, um botão que conecta você à sabedoria de seu coração.

Esse botão está, agora mesmo, disponível para todos nós.

Mas ouça, caso queira de verdade encontrá-lo. Não o busque nesse mundo que pulsa do lado de fora dos seus olhos. Mergulhe em si mesmo. Aquiete-se. Ouça o que se passa em seu íntimo.

O que quer que você esteja vivendo, não é algo entre você e o outro.

É algo entre você e sua própria alma.

E esse botão, saiba…  É como uma janela.

Só pode ser aberta pelo lado de dentro.

Patricia Gebrim já foi dentista. Mudou de rumo, formou-se em psicologia, e em sua caminhada profissional sempre buscou o elo de união entre a psicologia e a espiritualidade. Atende em seu consultório como psicoterapeuta. É também escritora, com diversos livros editados. Dedica-se a escrever com o intuito de favorecer a elevação da consciência de seus leitores, questionando os caminhos condicionados e buscando sempre novos ângulos para a compreensão da vida. Acredita que o pensamento livre e o amor são as forças que podem impulsionar todos nós a uma nova forma de vivermos e nos relacionarmos.