Por que os casados engordam?

O Diabo que te carregue - capítulo 15

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Um dos maiores pesadelos de quase toda a mulher é engordar para além do peso natural. Há os que dizem que essa preocupação é fútil. A esse tipo de pessoa você faz três perguntas bem simples: ela já pesou mais de cem quilos? Já entalou numa catraca de ônibus? Já chorou de vergonha na praia? Não? Você, já. Você sabe bem o que é isso. Então, que ninguém coloque na mesma frase as palavras gordura e futilidade, não na sua frente.

A comida, para você, sempre foi um vício. Como um alcoólatra corre para a bebida, você corria para a comida sempre que algo dava errado. Como agora, a relação é simples: separação – dor – comida. É sempre assim.

Mas houve uma vez, uma única vez, em que sua cabeça virou do avesso: você estava feliz, havia acabado de entrar num emprego novo e desejado, namorava um homem maravilhoso e… começou a engordar. Cinco, sete, dez quilos. Gata escaldada, no primeiro feriadão, você arrumou a mala e foi para um spa, não só com o desejo de emagrecer, mas, sobretudo, de ficar sozinha e descobrir por que diabos você estava comendo tanto se tudo estava bem na sua vida. E foi lá, por causa de um acidente, que você desvendou o mistério.

Sua colega de quarto no spa caiu de uma cerca e, apesar da grama ter amortecido sua queda, chamaram às pressas um ortopedista. Você estava fazendo companhia a ela, quando a dona do spa entrou no quarto com o médico. O médico. Ele olhou para você. Você olhou para ele. E foi faísca para todo o lado. Bate um papo aqui, enfaixa um pé acolá, o ortopedista-gato acabou pedindo seu telefone. E você acabou dando.

Quando ele foi embora, seu inferno começou. Os pensamentos mais diversos te ocorriam: “Meu Deus, eu dei meu telefone para outro homem! Isso é uma traição! Meu namorado não merece isso. Puxa, mas que médico lindo… Não, não posso! E se ele me ligar, o que é que eu faço? E se ele me ligar quando meu namorado estiver em casa? Por que eu fui fazer uma bobagem dessas? Espera aí, eu não fiz nada. Mas bem que gostaria… Socorro!”

Nesse momento, você saiu correndo pela estrada, foi até a cidadezinha mais próxima e se encheu de sorvete numa perfeita overdose de glicose e gordura. Ao voltar para o spa (de táxi, claro, você não tinha forças para dar um passo), finalmente percebeu o porquê do seu ganho de peso.

Você estava namorando sério e acreditava na importância de ser fiel, porém, ao mesmo tempo, se sentia atraída por outros homens. Foi aí que começou a engordar com o objetivo inconsciente de se retirar do mercado sexual (leia-se “do mundo”). Três, dez, trinta, cada um sabe quantos quilos a mais são suficientes para se fechar em si mesmo, para não olhar o outro, para não se sentir atraente. Trocando em miúdos: você engordou para se manter fiel. Da mesma maneira que agora está engordando para se manter fiel a sua dor.

Se não estiver satisfeita com o seu peso, o mais importante é, sozinha, encarar o espelho e se perguntar: por que é que eu estou comendo tanto? A resposta – você sabe muito bem – pode doer, mas também pode te libertar.

Por enquanto, você abre a embalagem de uma barra gigante de chocolate alpino, se olha no espelho e pensa: “Agora eu sei, sei exatamente porque estou comendo. E não posso parar. Não ainda”.

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*Photo via Visualhunt

**Esse conteúdo foi originalmente publicado no livro: O Diabo que te Carregue, da autoria de Stella Florence e foi reproduzido aqui com a devida autorização e revisão da autora.

Stella Florence é escritora, autora dos sucessos “Os Indecentes”, "32", “Hoje acordei gorda”, entre outros. Stella é cronista veterana e parceira do Exnap! www.stellaflorence.net