Qual será o momento de parar?

Há momentos em que estamos vivendo no piloto automático, sem uma conexão com o que é mais importante dentro de nós mesmos.

Photo credit: the russians are here via VisualHunt.com / CC BY

Há momentos em que estamos vivendo no piloto automático, sem uma conexão com o que é mais importante dentro de nós mesmos.
São tantas demandas externas, o tempo que urge, os afazeres e “obrigações” batem à porta com urgência. Vale lembrar que por mais que não percebamos, tudo isso foi escolha nossa.
Escolha sim, muitas e muitas vezes tão inconscientes que nem chamaríamos de escolha.
Somos seres bem complexos, com tantas possibilidades e não conseguimos enxergar todos os ângulos, por mais inteligentes, dedicados, bem intencionados que sejamos. São tantos aspectos, variáveis, emoções, ângulos e vivências que formam nosso ser, e por isso mesmo a transformação é contínua.
Esse movimento interno e externo está interligado mesmo que não saibamos como. O ar que respiramos ora está fora, ora dentro de nós independente da nossa atenção.
Trazemos para o interior muito mais que o ar, com nossos pensamentos, sentimentos e sutilezas que nem daria pra descrever. A troca é constante e se não prestarmos atenção, com essa “loucura” do dia a dia milhões de pequenos fragmentos da realidade estão sendo vividos aleatoriamente.
Claro que nem se quiséssemos nossa atenção captaria tudo, mas existe uma enorme diferença quando nos permitimos parar um pouco.
E quando digo parar não é estar num local ideal, silencioso, harmonioso, com características x ou y. Esse lugar é muito mais interno e, para tanto, você pode estar no meio do trânsito, tomando banho, andando na rua, almoçando ou sentado apreciando a vista.
Essa pausa faz com que seu olhar possa ser direcionado, com intenção, percepção e, assim, emergir à consciência algo que acontece bem dentro de você ou ao redor, mas que te chama atenção. É tão rico que pode trazer soluções, perguntas importantes, sentimentos novos ou que passaram despercebidos.
Podemos intervir nessa realidade que vivemos com pequenos momentos de lucidez, que por vezes são tão simples.
Se você não tem tempo para contemplar o que gosta, como espera viver momentos de felicidade? Se parar é algo tão difícil na sua rotina, onde está você realmente?
Parar requer coragem de abrir uma fresta no seu próprio ser e despretensiosamente aceitar o que está lá daquele jeitinho, pelo menos até então.
Isso já causa uma mudança e por vezes uma transformação, pois tem muitos aspectos seus querendo ser vistos e, como uma criança, querem chamar sua atenção.
Sei que pode parecer muito teórico, mas é mais simples do que parece e vale muito. Seu olhar pra vida pode mudar com situações e acontecimentos muito cotidianos, que fazem toda diferença. Um sentimento pode ser totalmente transformado, pois quando resignificamos o olhar a genuína mudança começa, por dentro.

*Photo credit: the russians are here via VisualHunt.com / CC BY
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Mônica é psicóloga, buscadora, cinéfila, apaixonada pela vida e pela natureza, estudiosa do ser humano e das suas idiossincrasias. monicaloureiro@yahoo.com