Quando o ex parece melhor!!!!

Atenção: existe mesmo a possibilidade de seu ex não ser um crápula. Ou talvez ele tenha sido um crápula única e exclusivamente para ou com você. A palavra-chave aqui não é "crápula", é "ex" .

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Só algumas mulheres recém-separadas conseguem conceber a idéia de manter um relacionamento civilizado com o ex.
Na verdade, a maioria gostaria muito de vê-lo calmo e em paz, de preferência embalado pelo som constante e sereno dos aparelhos de respiração da UTI.
Muitas ainda recorrem a pragas antigas e outras curiosidades do folclore universal para canalizar suas frustrações.
Minha avó tinha uma praga ótima: “Que todos os seus dentes caiam, com exceção de um, e que ele doa pelo resto da sua vida”. Pragas e torta de maçã eram as especialidades dela.
No entanto, após alguns meses de solidão e uma porção de encontros “kafkanianos”, atinge-se um patamar estranho de autopiedade e aceitação.
Depois de achar que todos os homens do mundo são estranhos, inclusive o tal “amigo solidário para encontros casuais”, você começa a observar com mais atenção seus amigos casados, os casais na rua, os pares românticos dos filmes e livros. Começa a se lembrar dos tempos de solteira, quando pelo menos parecia que nem todo mundo era personagem de filme de terror, e daí a ficar completamente saudosista é um pulo.
Músicas das décadas anteriores começam a tocar quase como em um passe de mágica, principalmente aquelas “lentas de bailinho”. Logo você está escutando as músicas do seu tempo de solteira e, se duvidar, estará usando até as roupas da época.
Por enquanto (e ainda bem:…) só dentro de casa… para relaxar… enquanto se debulha em lágrimas ouvindo o tema de Top Gun ou coisa assim.
Você repassa na mente toda a sua vida amorosa, desde o primeiro beijo até o último relacionamento importante, e aí, finalmente, você meio que tropeça na lembrança do ex.  Afinal, por algum motivo você se casou…
A ausência contínua do indivíduo e/ ou a exposição constante aos personagens do “Além da Imaginação” vão pouco a pouco minando a lembrança da coleção de rolos de papel higiênico em cima do lixo, das toalhas molhadas fora do lugar, daquele monte de meias Lupo brancas que a mãe dele mandou para o enxoval e de todas as outras pequenas e insuportáveis diferenças entre vocês que levaram à ruptura final, inclusive o tórrido romance dele com a secretária do chefe.
Por um período que pode variar de 5 minutos a meses, você começa a se perguntar se a errada não era você. Pois, afinal, o dito-cujo era trabalhador e razoavelmente limpinho …
Dica: lembre-se, salvo raras exceções, esse sentimento não é real. É apenas uma reação “química”; uma tentativa dos seus glóbulos brancos de avisar que não suportam mais ser expostos às emanações nocivas oriundas dos babacas com que você tem saído todos esses meses.
É apenas seu organismo se purificando, como se fosse uma febre alta antes da cura. A natureza é sábia.
Após um tempo, provavelmente, você ficará tão assustada com a idéia de apenas ter imaginado, mesmo que só por um momento, que seu ex não é um crápula que começará a reavaliar seriamente seus conceitos.

Atenção: existe mesmo a possibilidade de seu ex não ser um crápula. Ou talvez ele tenha sido um crápula única e exclusivamente para ou com você. A palavra-chave aqui não é “crápula“, é “ex” .
Melhor ou pior que os outros, “ex” é “ex”, e isso quer dizer em português claro “NÃO“.
Não importa o que ele foi ou é com você. Se vocês tiverem filhos em comum, de agora em diante só importa o que ele for para eles. E se não houver ninguém além de vocês na história, então ele não importa mais e ponto final.
Embora algumas prefiram arremessar coisas pela janela, picotar ternos e fotos, queimar bilhetes e documentos, a maioria mais sã esperará até que o tempo aja para naturalmente se
desvencilhar do passado. O que ocorre de um jeito ou de outro.

*Photo credit: MattysFlicks via Visualhunt / CC BY

**Conteúdo retirado do Livro “Aperte o cinto, seu marido sumiu”, com modificações, com a devida autorização e revisão da autora.

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Carla é escritora. Para ela, a vida começa e recomeça quantas vezes forem necessárias, a sua personalidade e o seu senso de humor que ditarão o quão divertida a jornada será.