Quando o perdão insiste em se fazer presente...

Eu amaldiçoei minha vida passada, critiquei, chorei, gritei o nome do meu algoz me permitindo ser vítima...Hoje, quase 3 anos depois, me sentindo tão plena, tão viva, tão feliz, olho no espelho e me pergunto se teria sido realmente como eu enxerguei...

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Photo by Brooke Cagle on Unsplash

Eu amaldiçoei minha vida passada, critiquei, chorei, gritei o nome do meu algoz me permitindo ser vítima…

Hoje, quase 3 anos depois, me sentindo tão plena, tão viva, tão feliz, olho no espelho e me pergunto se teria sido realmente como eu enxerguei…

Será que eu não fui parte do processo? E agora não falo mais daquela culpa perniciosa de quem é manipulado e fica implorando perdão sem ter feito nada… Não é isso… É ter consciência plena de quem eu sou quando estou bem e de quem sou ao lado de quem extrai o pior de mim… Sei que naqueles anos eu fui uma pessoa difícil… E já não importa se era porque ele me fazia assim ou porque eu estava transtornada…

Não tenho dúvidas de que eu devia ter saído de onde não era meu lugar, mas eu podia ter saído diferente. Eu poderia ter parado e encontrado a lucidez que hoje é minha companheira, eu poderia ter gritado menos, chorado menos, me arrastado menos, sofrido muito menos…

Não, não falo do inevitável… Era inevitável nos separarmos, porque juntos éramos péssimos, ele e eu, eu e ele… Hoje o vejo mudado, eu também mudei, e penso: éramos um erro completo! Que bom que nos separamos!

Por muito tempo, quando o amor já nem apresentava sua sombra mais, eu me sentia mal pelo fracasso, pelo histerismo, pela minha infelicidade profunda… E o condenava pelas atitudes, pelas palavras rudes, pelas falhas tantas… E me ocorre: como ele me via? Será que também não ansiava pelo fim? Será que não me achava depressiva, intolerável e péssima companhia quando qualquer gesto não era capaz de mudar meu humor? Provavelmente!!! E não estou fazendo um “mea culpa”, estou chegando à conclusão de um desdobramento dos fatos… Ele me causou dor, em troca, eu me tornei intragável, aí ele me causava mais dor, e eu me tornava mais desagradável ainda…

O perdão que concedo a ele é o que traz paz e boa convivência… O perdão que me dou é de uma má escolha baseada em acaso, puro azar, da combinação absolutamente incompatível que criamos juntos… ninguém acordou um dia e pensou: – nossa, vou tornar a vida de fulana um inferno!

Mas mesmo assim tornou! Foi culposo, não doloso… Tá… Talvez dolo eventual!

E me dou todos os dias os parabéns, por ter sido capaz de sair desse ciclo de foice no pêndulo!

Mas não julgo, se é um ato de coragem sair dessa cena, também é um ato de abnegação ficar pelos motivos mais nobres! O meu respeito a todas as mulheres que decidem ir e minha admiração a todas as mulheres que decidem ficar e continuar! Não há caminho fácil, acreditem!

Separada, superada, sem parada! Apaixonada novamente Dois filhos terríveis e lindos Buscando autoestima e autoconfiança Professora e aprendiz, sempre!