Quando queremos, juntos, somos INCRÍVEIS! Mas quando não...

Aproveitando ao máximo esses últimos dias sem aulas em São Paulo fui surpreendida pela recém-lançada animação da Disney Pixar - Os Incríveis.

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Férias…  Chegando ao fim…

Buscando aproveitar ao máximo esses últimos dias sem aulas em São Paulo fui surpreendida pela recém-lançada animação da Disney Pixar  – Os Incríveis.  Para continuar a contar sobre minha grata surpresa no escurinho do cinema precisarei  situá-lo no tempo e espaço meu caro leitor.

Lançado em 2004, a primeira aparição dos Incríveis nas telonas narrava as aventuras do maior herói do planeta – Sr Incrível, que à época  não passava de  um pacato pai de família norte americano: após ser  proibido pelo governo norte americano  de usar seus poderes, o Sr Incrível se vê obrigado a voltar à ativa para enfrentar um velho inimigo que volta a ameaçar a paz! E desta vez, pasmem, para vencer o mal, o pai de família Sr Incrível  precisou  contar com a ajuda de toda a família Incrível para derrotar o vilão!  Conseguiram e todos foram salvos.

Avançando no tempo para  2018, quando assisto à continuação dos Incríveis em uma sala de cinema da Avenida Paulista, surpresa!

O Sr Incrível agora se vê novamente convidado a sair de seu papel de maior herói do planeta e a ceder seu lugar na “mídia” para ninguém menos que sua mulher e mãe de seus três filhos, Senhora Incrível. Ela sobe em sua  moto envenenada – que dirigia ainda quando solteira –  e sai de casa para enfrentar o crime e resgatar o bom nome dos superheróis na Terra.

Depois de alguns minutos passados da cena acima, percebemos que a realidade da Sra Incrível estaria longe da  clássica entrada da mulher na tripla jornada de trabalho – chefe/marido e filhos .  A mãe de família tinha  agora a responsabilidade de resgatar o bom nome dos superheróis e, caso bem sucedida, abrir uma nova frente de trabalho para tantos outros que, como sua família, haviam sido esquecidos e impedidos de utilizar seus poderes para defender a humanidade.

Nas cenas seguinte  as surpresas se intensificam. O marido clichê , sempre perdido e exausto na ausência da mulher/mãe/dona de casa cede lugar a lindas e sensíveis momentos quando  Sr Incrível, mesmo exaurido pelas demandas de três filhos , arregaça as mangas e decide conseguir fazer aquilo que aparentemente só a Sra Incrível era capaz de resolver:cuidar dos filhos! Lidar com um bebê insone e seus super poderes , aprender toda a matemática moderna para apoiar ao filho nas tarefas de casa , enfrentar a montanha russa emocional de sua filha adolescente!    Alguns diriam – ele não estava fazendo mais que a obrigação dele como pai…  Sim, esse é um argumento, mas o diferencial aqui é que ele ESCOLHE fazer além da obrigação, ele opta por viver realmente esses outros papeis antes desempenhados em grande parte por sua cara metade, Sra Incrível.

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Aos poucos esse homem, o maior herói do planeta, experimenta novas e desejadas interações familiares . O ponto alto, a meu ver, acontece no restaurante da família do rapaz com quem sua filha mais velha inicia um flerte.  A menina, uma clássica adolescente apaixonada, se vê surpreendida pelo almoço que seu pai orquestrou  pensando em resolver um mal entendido que ele próprio havia causado: a filha é apagada da memória do paquera, por engano…

Claro que a princípio, nas primeiras tentativas,  tudo parece ir por agua abaixo . Porém… Com o  desenrolar da trama, salvar ou não a humanidade dos perigos dos vilões quase serve de pano de fundo para o que nos consultórios se nomeia como: o saudável processo de exercermos diferentes papeis e suas esperadas funções sociais.  Trocando em miudos – quanto mais diferentes forem os papeis que estrelamos na vida, mais ricas  serão as relações que estabeleceremos com o nosso próximo- pai, mãe, filhos, amigos, chefes.

A inevitável aproximação  entre pai e filha , iniciada  no  restaurante do paquera gera bons frutos: a cumplicidade aflora, os conflitos ficam mais fáceis de serem resolvidos pois o vínculo foi reforçado. Não são só mais pai e filha em conflitos geracionais mas duas pessoas que  agora se entendem após se colocarem no lugar um do outro. A  filha passa a  enxergar esse Sr. Incrível como alguém capaz de ajudá-la em seus problemas afetivos  – papel classicamente destinado às mães.

Filhos e pais aprendendo juntos, dividindo tarefas e desempenhando novos e diversos papeis , um pouco mais distantes daqueles que as convenções da  sociedade ao longo dos anos lhes atribuiu. A cumplicidade está  no olhar dos familiares entre si no carro antes do The End.
O filme termina, as luzes se acendem e equanto espero todos se retirarem, em meio a comentários entre pais e filhos, me convenço mais uma vez que , quando podemos escolher, TODOS nós somos capazes de sermos INCRÍVEIS, começando pelo primeiro passo: o que quero e preciso ser para esse outro individuo que está a meu lado? E o que isso traz de mudança?
Aproveite esse finalzinho de férias e embarque no seu filme familiar.
Quem seria você?   E quem são os outros?
Quem sabe você não vira sucesso de bilheteria com seus filhos?

Vanessa é mãe em tempo integral, além de psicopedagoga e pesquisadora do psicodrama, da psicomotricidade e da aprendizagem humana. Divorciada, trabalha em uma escola internacional em São Paulo como educadora e, pelas inquietações da vida, fundou com amigos uma associação socioeducacional chamada FabricAções. Em seus textos publicados aqui, procura partilhar alguns dos tijolos necessários para as pontes que precisamos construir entre adultos e crianças no que diz respeito à aprendizagem para a vida. vanessameirelles@fabricacoes.com.br