Espelho, espelho meu, quem importa mais? Você ou eu?

Depois de tirar a fantasia e de se despir do que é supérfluo fica mais fácil olhar a fundo para si mesmo...

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Quando éramos pequenos, após o Carnaval se iniciava a Quaresma e com ela o tempo de conversão, recolhimento, de jejuns -isso mesmo! – e de reflexões e penitências que preparavam a todos para , ao final do período de 40 dias, estarmos preparados para a grande festa da Páscoa. Era um momento de aprendizado, de mudança e também uma oportunidade para olharmos para o próximo e nos aproximarmos dele.

Confesso que sinto um pouco de saudades desta época em que havia, no calendário e na família, um tempo (e uma certa obrigação) para nos esforçarmos em crescer e olhar menos para o nosso próprio umbigo, olhar para o outro e pensar qual era nosso papel neste mundão.

Muitos de nós querem proporcionar aos nossos filhos momentos como a Quaresma de antigamente, em que junto conosco eles possam refletir sobre eles próprios e como se relacionam com suas prioridades e com as dos outros que o cercam. Mas temos dificuldades… E como tudo que envolve filhos passa pelos pais antes, como será que esses adultos se relacionam com as necessidades do outro e como aprendem com seus próprios limites?

Um assunto para ser tratado a várias mãos e mentes junto com nossos colegas psicólogos e psicanalistas, essenciais para não nos perdermos no meio do caminho.

Difícil dizer sobre o percurso de cada um mas uma coisa é certa: depois de tirar a fantasia e de se despir do que é supérfluo fica mais fácil olhar a fundo para si mesmo, e fazer um exame de consciência rumo a onde queremos chegar, ao nosso objetivo.

Fica aqui o convite para essa conversa que durará algumas semanas: dispa-se e a seus pequenos grandes filhos, tirem as fantasias. Afinal, o Carnaval já acabou. O que sobra embaixo delas? Do que você gosta quando olha e o que quer aprender a mudar?

Olhar no espelho essas horas ajuda.

Espero vocês semana que vem.

Abraço

Vanessa

*Photo credit: FOTO.Michaela via Visualhunt / CC BY-SA

** Clique no perfil da autora para visualizar mais textos. Boa leitura!

Vanessa é mãe em tempo integral, além de psicopedagoga e pesquisadora do psicodrama, da psicomotricidade e da aprendizagem humana. Divorciada, trabalha em uma escola internacional em São Paulo como educadora e, pelas inquietações da vida, fundou com amigos uma associação socioeducacional chamada FabricAções. Em seus textos publicados aqui, procura partilhar alguns dos tijolos necessários para as pontes que precisamos construir entre adultos e crianças no que diz respeito à aprendizagem para a vida. vanessameirelles@fabricacoes.com.br