Regras da casa. Entre, cuide, ela também é sua!

Já dizia minha avó: “Usou? Guarde! Sujou ? Limpe! Quebrou? Conserte! Práticas domésticas buscando manter a casa limpa e organizada para quem vem depois.

brumadinho
fernando Moreno/ FuturaPress

Eram 09 os mortos. Já são 65 os que não voltam mais para casa,  em Brumadinho.

Já é quase meia noite e meu pensamento voa para perto das muitas equipes de resgate –  como dormir sem apaziguar o coração que bate na espera da boa notícia, do filho renascido, do pai resgatado, da vida encontrada!? Como dormem os que esperam? Não sei.  Minha única  forma de solidariedade hoje é ficar acordada e esperar junto.

O céu azul , visto da janelinha do meu avião  na vinda para Belo Horizonte ,  desta vez levou o meu pensamento para a época em que meu filho – hoje com 16 – ainda era pequenino e relutava em guardar os brinquedos depois de um dia de travessuras! 

Já dizia minha avó: “Usou? Guarde! Sujou ? Limpe! Quebrou? Conserte!  Práticas domésticas buscando  manter a casa limpa e organizada para quem vem depois.

Será que quando crescem alguns se esquecem do que aprenderam ainda na tenra idade? Ou nunca lhes foi ensinado que conviver demanda a manutenção e o  cumprimento de regras básicas que juntas formam  um  “manual de convivência para a vida”   no futuro? A função social deste manual vai muito além da garantia de um bom convívio em casa. E a  importância  disso nem sempre é clara para todos.

Voltando para o  dia de hoje, terça feira dia 29 de janeiro, 08 horas da manhã: já são 81 mortos.

Fico  matutando com meus botões e de vez em quando me pergunto: onde ficou o hábito que em algum momento da infância foi ensinado em casa, na escola ou em outros espaços de convivência?  Quem brincou e continua não guardando?  Sabe-se sim quem sujou, e agora, qual o próximo passo para limparem?

Será que os que sempre quebram irão algum dia ser chamados para consertar? Será ainda permitido a eles entrarem nas próximas brincadeiras, mesmo sabendo hoje que o manual de convivência deles tem outras regras?

Me despeço citando as palavras de um ser especial que conheci este ano: “…  temos mais uma vez a chance de nos percebermos como responsáveis pelo todo que nos cerca e aprimorar nossa identidade pessoal para o bem comum. Uma tragédia das proporções da que está ocorrendo em Brumadinho diz respeito a todos nós, e, depende de você, da importância que você dá ao meio ambiente, o cuidado com nossos rios e matas. Você mora  neste planeta, que é a sua casa. Cuide dela!…” (Kosmoterapia da Shlo)

Vanessa não é só mãe em tempo integral. Trabalha na co-criação de projetos e políticas educacionais que fomentem a emancipação do indivíduo. É professora especializada em inclusão escolar e social com ênfase na formação e acompanhamento de professores em sala de aula. Trabalha em uma escola internacional em São Paulo e, pelas inquietações da vida, fundou com amigos a FabricAções (www.fabricacoes.org.br) Em seus textos publicados aqui, procura partilhar alguns dos tijolos necessários para as pontes que precisamos construir entre nós e os outros, na busca pela nossa autonomia.